Moradores das ocupações Vitória e Esperança se deslocaram na manhã desta quinta-feira (2), para a Rosa Leão e, em seguida, saíram em caminhada rumo ao Centro da capital mineira. Eles ocupam mais de uma faixa da avenida Cristiano Machado, não cumprindo o combinado previamente, e pretendem marchar até a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) da cidade e depois seguir para a Caixa Econômica Federal.

A adesão no primeiro momento foi baixa e alguns moradores chegaram bater na porta das casas de outros ocupantes para chamá-los para a manifestação. Segundo a integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MRV) Poliana de Souza, muitas pessoas ficaram com medo após a repressão da Polícia Militar (PM) na última manifestação pela Linha Verde. Apesar do receio, eles esperam reunir 2 mil famílias.

Ao contrário da manifestação passada, realizada no dia 19 de junho na MG-010, em que houve confronto entre a PM e os manifestantes, poucas crianças marcham nesta manhã. Faixas, cartazes e um carro de som e instrumentos musicais são usados pelos integrantes da passeata. Várias viaturas da Polícia Militar acompanham os moradores, que seguem organizados pelo trajeto.

Com o movimento, eles pretendem pressionar o governo para que uma política urbana que atenda aos interesses dos ocupantes seja repensada. A principal proposta é a manutenção das áreas mais adensadas, com casas mais estruturadas, como as de alvenaria. As outras áreas poderão abrir espaço para o programa Minha Casa Minha Vida, explica Poliana. "Dessa forma, atende todo mundo mais a fila do governo".

A reintegração de posse na região da Isidoro, que deveria ter sido cumprida a partir de 22 de junho, foi suspensa até pelo menos 6 de julho, após reunião na Defensoria Pública com representantes do governo, deputados e lideranças do movimento. Para esta sexta-feira está prevista uma reunião com o Governo do Estado com a presença de representantes da Caixa e da PBH.