O belo-horizontino convive com 108 roubos nas ruas da capital, por dia. Nos cinco primeiros meses do ano, foram registradas quatro ocorrências a cada hora. Em maio, esse tipo de crime teve um aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), divulgados nesta terça-feira (23), mostram uma tendência inversa em relação a homicídios. A queda foi de 59,76%, com 33 assassinatos em BH, enquanto que, em maio de 2014, houve 82 registros.

Para a Polícia Militar, a redução é justificada por uma migração na criminalidade. “O trabalho de prevenção de crimes e a realização de operações especializadas têm ajudado a diminuir os crimes. Com isso, acontece a migração de delitos de menor gravidade”, explica o chefe da sala de imprensa da PM, major Gilmar Luciano.

De março até maio, a polícia realizou pelo menos três operações na região metropolitana. Em média, foram apreendidas 600 armas de fogo e efetuadas 500 prisões por mês. “Muitos criminosos foram tirados de circulação, mas é preciso agilidade processual para manter esses criminosos presos, pois a grande maioria é reincidente”, reforça o major.

Análise

A queda nos números é questionada por especialistas. Para o pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, Bráulio Figueiredo, falta transparência no modelo de segurança aplicado no Estado.

“Existe pouca evidência de que tenha havido migração do tipo de crimes. As corporações têm feito um bom trabalho, mas falta o governo divulgar o que está sendo feito para melhorar a segurança no Estado”, observou.

O especialista destaca que as operações de prevenção à criminalidade são válidas, mas não resolvem totalmente o problema. “Se não houver estratégia, logo isso acaba perdendo força”.

O coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio, questiona o período escolhido para destacar a redução. “Em um mês não há como pontuar queda ou evolução na criminalidade. Isso somente pode ser avaliado por um período de três trimestres, o que não foi considerado”.

Para Sávio, a taxa divulgada corresponde a um período sazonal, além de não haver comprovação de migrações de criminalidade. Ele ainda destaca que a retirada de armas de fogo das ruas não pode ser considerada um motivador para a queda. “Atualmente, não há campanhas de desarmamento em vigor. A mesma quantidade que é retirada volta para a ruas”.

A Seds informou que não iria comentar os números divulgados.

Bandidos adotam nova estratégia para invadir residências na Zona Sul de Belo Horizonte

Ladrões têm lançado mão de novas táticas para furtar apartamentos na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em vez de acessar os imóveis pelo estacionamento, onde sistemas de videomonitoramento costumam flagrar os ilícitos, eles se passam por corretores, carteiros e até agentes de combate à dengue, conseguindo acesso fácil pela portaria principal do prédio.

Só no último mês, três ocorrências do tipo foram registradas no Lourdes, segundo Jeferson Rios, presidente da associação comunitária do bairro.

“Em um dos casos, o bandido simulou ser corretor de imóveis. De fato, havia um apartamento à venda e, por isso, o porteiro não desconfiou de nada”, conta. Em outra situação, o assaltante identificou-se como convidado de uma festa que estava sendo realizada no salão de festas do condomínio.

Ação da Polícia

O novo modo de atuação dos criminosos também dificulta a ação da polícia, afirma o tenente Marcos José Jacó, da 4ª Companhia da PM. “Eles não precisam de armas para entrar nos prédios. E, geralmente, escolhem apartamentos que estão vazios. Dessa forma, têm muito tempo para pensar o que levar e vão embora sem levantar suspeitas. Só somos acionados após algumas horas”.

Outro problema é que, como os ladrões não fazem uso da violência, as ocorrências são registradas como furtos ou arrombamentos, crimes de menor importância. “A região Centro-Sul, como um todo, tem sido muito visada, sobretudo por causa dos valores dos imóveis. Estamos tentando acabar com essa fragilidade”.

Polícia Militar treina porteiros de cinco bairros da capital na prevenção à criminalidade

Assustados com o aumento da criminalidade, a Associação Comunitária do Bairro de Lourdes (Amalou) antecipou curso de capacitação de porteiros. Nestaterça-feira (23) e quarta-feira, quase 170 profissionais do Lourdes, Funcionários, São Bento, Santa Lúcia e São Cristóvão participaram do treinamento. “Porteiros são o terceiro olho da Polícia Militar. Eles são parceiros e ajudam a corporação”, afirma o tenente Marcos José Jacó, responsável pelas aulas.

Entre as mais de 30 dicas de segurança repassadas aos profissionais, ele cita a necessidade de exigir documentos de qualquer pessoa que não seja morador do imóvel, e até mesmo de pedir aos residentes que façam uma relação dos convidados de uma eventual festa. “Se ainda assim desconfiarem de alguém, podem ligar para a PM, que fará uma busca do nome do suspeito ou irá ao local”. (R.R.)

18% dos roubos registrados em minas gerais, em maio deste ano, ocorreram na região metropolitana de belo horizonte

 242 homicídios ocorreram nos cinco primeiros meses deste ano, contra 366 no mesmo período de 2014, recuo de 33,8%

O aumento da criminalidade no Buritis será tema de audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa; a reunião será realizada nesta quarta-feira (24), às 19h, na escola Number One do bairro