O advogado Rodrigo Márcio do Carmo Silva, que defende Alessandro Neves Augusto, de 34 anos, o Pitote, acusado de matar o jornalista Rodrigo Neto, em 8 de março de 2013, acusou o fotógrafo Walgney Carvalho de Assis, que também foi morto dias depois, de ser o autor do assassinato da primeira vítima. A defesa é feita nesta sexta-feira (19), no julgamento realizado em Ipatinga, no Vale do Aço.
 
Para Rodrigo, o fotógrafo Walgney foi o autor intelectual e mandante da morte de Rodrigo Neto. Segundo ele, o fotógrafo teria pilotado a moto para o atirador Sérgio Vieira da Costa, que estava na garupa. Ele tentou mostrar por meio de depoimentos a raiva que Carvalho tinha de Rodrigo Neto, após o fotógrafo ter indo trabalhar na mesma editoria que ele no Jornal Vale do Aço, que fechou as portas semana passada.
 
O advogado, durante a defesa, também tentou desqualificar o trabalho de investigação da  Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.
 
O MP descobriu em investigação complementar que o tal "Serginho", apontado pela defesa desde o início das investigacoes como o atirador, existe de fato, mas está desaparecido desde 2012, ou seja, antes da execução do jornalista.
 
Para o promotor Francisco Ângelo de Assis, responsável pela acusação do MP, o detetive Lúcio Lirio Leal são os assassinos. O detetive seria o piloto da moto e Pitote o atirador."Essa versão do advogado não é compatível nem mesmo com as alegações de seu cliente, o Alessandro, em seus depoimentos", diz o promotor. “A eventual autoria de Carvalho foi totalmente esgotada nas investigações”, reforçou.
 
Julgamento
 
O julgamento de Pitote, foi iniciado às 9h20. Ele responde pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e poderá ser condenado a 30 anos de prisão. 
 
O trabalho está sendo presidido pelo juiz Antônio Augusto Calaes. O júri e formado por quatro homens e três mulheres. 
 
Depoimento
 
A única testemunha de acusação ouvida foi o delegado Emerson Morais, que chefiou as investigações na cidade. As demais, sendo sendo tres de acusação e três de defesa, foram dispensadas.
 
O policial informou que foram várias as linhas de investigação, algumas absurdas. Mas, ele garantiu não ter dúvida de que Pitote matou Rodrigo Neto e, logo depois, o fotógrafo Walgney de Carvalho. O delegado assegura que a morte do fotógrafo foi queima de arquivo. 
 
Em depoimento, Morais disse Pitote era um homicida infiltrado na delegacia de Ipatinga. Emerson falou, ainda, que o assassinato do jornalista foi decidido "numa roda de cachaça" integrada por políticos e policiais. Diziam que Rodrigo Neto estava incomodando demais. E que o policial civil Lúcio Lírio Leal e Pitote, que estavam na roda, decidiram executar o jornalista por conta própria, só para ficarem bem com eles.
 
A motivação do crime, contudo, ainda está sendo investigada em inquérito complementar. A arma usada nas duas mortes foi a mesma, segundo o delegado. Pela morte do fotógrafo, Pitote enfrentará novo julgamento no dia 19 de agosto, em Coronel Fabriciano.
 
Acusação e defesa
 
O promotor Francisco Ângelo de Assis, responsável pela acusação, reforçou em sua tese que Pitote era homicida a serviço de maus policiais nas delegacias de Ipatinga e Coronel Fabriciano. Segundo ele, o réu pode ter agido a serviço e para proteger esses policiais. 
 
Para o promotor, na noite da morte de Rodrigo Neto, a antena de uma operadora captou três ligações de Pitote para o investigador Lúcio Lírio Leal. Ele estaria na região do crime. "As investigações condizem com a verdade".
 
Embora a motivação e mandante do crime não tenham sido definidos, para Assis não resta dúvidas de que Pitote agiu como integrante do grupo de extermínio que agia na região. Já o assistente de acusação, Délio Gandra, sustentou que Pitote é um grande contador de histórias. "Mais cedo ou mais tarde, o homem que usa duas faces, esquece qual é a sua", diz Gandra, referindo-se ao réu como um assassino frio.
 
O advogado Rodrigo Márcio do Carmo Silva, alegou que está defendendo Pitote sem cobrar honorários, aceitando o desafio "por não aguentar injustiças". Ele disse ainda que nunca viu tanta mentira em uma investigação e que o delegado Emerson Morais não poderia sair da cidade depois de sete meses de trabalho, sem pelo menos um culpado. "Afinal, não poderia perder as promoções que chegam por meio de resultados".
 
O advogado sustentou que o foco inicial era o fotógrafo Walgney de Carvalho, primeiro suspeito de ser o matador do jornalista. E depois da morte dele, precisava de outro culpado.
 
Condenação
 
O policial civil Lúcio Lírio Leal foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado pela participação no assassinato do jornalista Rodrigo Neto. A sentença foi proferida em agosto de 2014 pelo Tribunal do Júri de Ipatinga, no Vale do Aço.
 
Execução
 
O jornalista Rodrigo Neto foi executado a tiros quando estava em um bar do bairro Canaã, em Ipatinga, no Vale do Aço, em março de 2013. O repórter era especializado na cobertura de notícias policiais e durante sua carreira denunciou diversos crimes, inclusive envolvendo policiais militares e civis como autores.
 
Segundo a Polícia Militar, ele saía de um churrasquinho na avenida Selim José de Sales, quando dois homens chegaram em uma motocicleta escura e atiraram em sua direção. A vítima chegou a ser socorrida com vida, mas morreu a caminho do Hospital Márcio Cunha. 
 
Um outro homem, que estava com o Rodrigo Neto quando ele foi alvejado, também foi atingido mas conseguiu escapar. O itinerário de fuga teria sido traçado pelo investigador, que passou pelo local, minutos antes, viu o jornalista e o companheiro e avisou o comparsa de sua presença e posição. A motivação do crime, ainda de acordo com o MP, foram denúncias feitas por Rodrigo em emissora de rádio, contra crimes que ficaram impunes no Vale do Aço.