O segundo dia de greve dos rodoviários de Belo Horizonte afeta quatro estações e deixa milhares de passageiros sem transporte público. Conforme o sindicato da categoria, a circulação de ônibus das empresas Torres, Turilessa Ana Lúcia, Sagrada Família e Jardins estão prejudicadas na manhã desta terça-feira (9).  O sindicato informou que quase 50 linhas estão sem rodar.
 
A BHTrans, autarquia responsável por gerenciar o tráfego na capital, informou que as estações Diamante e Barreiro estão funcionando normalmente, com exceção da linha 8350 (Estação São Gabriel/Estação Barreiro), que está operando de forma parcial.
 
Já as estações São Gabriel, Pampulha, Vilarinho e Venda Nova estão operando parcialmente nesta manhã. Conforme a empresa, "agentes da BHTrans estão orientando os usuários e monitorando as estações e o trânsito".
 
Representantes do Sindicato dos Rodoviários de BH (STTR-BH) informaram que a prefeitura havia convocado a categoria para reunião às 8h30. Contudo, de acordo os trabalhadores, o encontro foi cancelado "por problemas na agenda do prefeito". 
 
Em função disso, a reunião foi reagendada, mas com a presença do presidente da BHTrans, Ramon Victor César, que receberá o presidente do STTR-BH, Ronaldo Batista de Morais. Durante o encontro, que será fechado, às 11h, o presidente da empresa irá ouvir as motivações dos rodoviários para o movimento de paralisação.
 
Os grevistas exigem o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), prometido pelas empresas de ônibus. Carlos Henrique, diretor de comunicação do sindicato, explicou que um acordo acertado em março com a categoria, prometia uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 347,52 para quem recebe acima de R$ 1 mil e R$ 173,76 para quem tem um salário abaixo desse valor.

Cerca de 140 ônibus estão parados na viação Jardins

Cerca de 140 ônibus estão parados na viação Jardins (Foto: Eugênio Moraes/Hoje em Dia)

 
Protesto
 
Na garagem da Viação Jardins, em Justinopólis, 140 ônibus estão paradas. Três linhas que circulam a partir dessa garagem não estão saindo desde à meia-noite desta terça, entre elas as linhas 650, 68, 66, 62, 64, 615, 618, 619, 620, 638, 3302D, 635 e 634. 
 
Segundo o delegado do sindicato Ademir Pires, a empresa informou que não irá pagar a participação nos lucros e, por isso, a paralisação está mantida por tempo indeterminado. Ainda, de acordo com ele, a empresa Millenium, que não operou na segunda, fez um acordo para pagamento até sexta-feira (12) e, por isso, os coletivos estão circulando normalmente. Se o novo acordo não for cumprido, a previsão é de que os carros parem novamente na próxima segunda-feira (15). "Se não tiver avanço, teremos mais paralisações até eles pagarem", afirmou Pires.
 
Na Estação Vilarinho, duas linhas estão paradas (638 e 608). Outras tiveram o intinerário reduzido, como a 66. Isso porque com a paralisação de algumas garagens, coletivos de determinados horários não estão saindo.
 
Transtorno
 
A operadora de caixa Gesiane Martins, de 29 anos, tenta desde às 6h30 pegar o ônibus da linha 608, na Estação Venda Nova, para chegar ao trabalho, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha. "Cheguei aqui e disseram que não tem ônibus. Terei que tentar chegar de outra forma. Acho uma falta de respeito com a gente".
 
A cozinheira Cirlene Soares, de 36 anos, reclama da situação. Segundo ela, nenhum coletivo da linha 66 para. Por causa disso, a fila de embarque só aumenta. "Até agora não consegui pegar. Devia ter parado vários aqui pelo quadro de horários, mas eles estão passando direto", disse Cirlene, que precisa chegar a um compromisso no bairro Centro.
 
Prejuízo
 
O primeiro dia de paralisação comprometeu 48 linhas do transporte coletivo. Segundo a BHTrans, as estações Pampulha, São Gabriel, Venda Nova e Vilarinho só retomaram gradualmente a operação durante a tarde. Já as Estações Barreiro e Diamante operavam parcialmente às 17h de segunda, apenas com linhas Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER).
 
Atualizada às 11h01
 
*Com informações de Letícia Alves