Por um dia, a aula é diferente. Em vez de sala de aula e professores escrevendo no quadro, atividades musicais na quadra, com direito até a palhinha dos alunos. É assim que funciona um projeto musical em escolas públicas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana, denominado “Música de Sanráh”. Desenvolvido pelo músico de mesmo nome, a equipe já atendeu a cerca de 2.500 estudantes, de 10 a 18 anos. Nesta sexta (15), a atividade foi realizada na Escola Estadual João Felipe da Rocha, em Nova Lima.
 
“O foco é despertar talentos em alunos que não têm oportunidade de acesso à instrumentos ou ao ensino musical. Porque quando eu comecei eu não tive essa oportunidade, então quero que esses meninos tenham”, explica Sanráh, que é músico há 13 anos.
 
Essa edição do projeto, que começou em dezembro do ano passado e termina em junho, recebe o apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Mas antes disso, em 2013, ele realizou a primeira edição, quando cerca de 5 mil estudantes participaram.
 
De primeira, os alunos fazem uma oficina onde aprendem a parte teórica e prática da música, bem como conhecem as várias vertentes que ela pode ser trabalhada, como terapia, lazer ou profissionalmente. “Percebo em todas as escolas que existe uma carência sobre esse assunto, falta oportunidade de acesso à experimentação musical”, disse o educador musical Lecy Geovani, responsável por essa parte.
 
Depois, aqueles que já sabem tocar algum instrumento ou querem cantar, podem se apresentar em uma estrutura de palco com som profissional, montados na quadra da escola. “Nesse momento descobrimos diversos talentos”, destaca Sanráh. Após as apresentações, o músico também lança o disco autoral “Meu melhor motivo”.
 
Aprendizado
 
A estudante Maria Clara Viana, de 16 anos, teve a oportunidade de apresentar, pela primeira vez, a melodia que criou no teclado. “Foi fantástico. Sou fascinada por música e adorei participar, porque não é sempre que há uma oportunidade dessas”, disse. A apresentação foi um propulsor na jovem, que já pensa na profissão futura. “Vou fazer fonoaudiologia e quero trabalhar a fono com a musicalidade. Senti hoje (sexta) que sou capaz”, afirmou.
 
Para o aluno Leonid Santiago, também de 16, que se apresentou tocando contrabaixo, o projeto deveria acontecer com mais frequência. “Isso pode gerar frutos”, disse o jovem que também pensa em trabalhar na área. O mesmo ocorre com Arthur Pinheiro, de 18, que já compôs três canções e nesta sexta, durante as atividades do projeto, pôde apresentar uma delas. “A música é fundamental pois aprendemos a ouvir, a ter tempo para tudo. Ajuda a disciplinar mesmo”, afirmou.
 
Para o diretor da escola, Wilson Rodrigues de Moura, projetos musicais contribuem para o desenvolvimento pedagógico dos adolescentes. “É importante porque tira os alunos da sala de aula e proporciona uma experiência diferente”, disse.