O prefeito Marcio Lacerda (PSB) inaugurou na manhã deste sábado (25) a primeira unidade de acolhimento para pessoas que vivem nas ruas. O espaço atenderá somente o público masculino e conta com 44 vagas - 16 delas já preenchidas.

"É um lugar para atender pessoas que chegaram a uma escala da linha de pobreza. O abrigamento, que é voluntário, é somente uma etapa para promover a autonomia dessas pessoas", destacou Lacerda.

Levantamento realizado no final de 2014 apontou que a capital mineira tem 1800 moradores de rua. "É uma situação preocupante, mas que muitas vezes é estimulada pelos cidadãos na medida que contribuem, de alguma forma, para que essas pessoas não deixem as ruas".

Lacerda destacou que é importante que não haja doações, de qualquer tipo, para os moradores de rua. "Não dê comida, não dê dinheiro, nem colchões. O acolhimento dessas pessoas deve ser feito em lugares apropriados e não na rua", destacou.

Ao lado da secretária de Políticas Sociais, Luzia Ferreira, ele afirmou que todos os anos a prefeitura retira das ruas cerca de 250 pessoas. "A rua é atraente porque nela eles encontram solidariedade suficiente para conseguir sobreviver", completou a secretária.

Um número que ele mesmo admite ser ainda pequeno, "mas é importante lembrar que não podemos obrigá-las. O que nos cabe é o que vem sendo feito: abordagens e acompanhamento psicológico. Nem todas as pessoas aceitam disciplina, é gente que está em um estágio de sofrimento mental tão grande que não admite ir para um abrigo".

República
Batizado como Unidade de Acolhimento Institucional Fábio Alves dos Santos, o espaço é destinado a atender homens adultos em processo de saída das ruas. A unidade, localizada na avenida Nossa Senhora de Fátima, 3076, no Carlos Prates, foi construída com recursos do Orçamento Participativo.

"No início os moradores da região não gostaram da ideia, mas hoje, felizmente, eles estão satisfeitos com a iniciativa, já que a região conta com policiamento e as pessoas que vêm para o abrigo não causam problema. Ao contrário, eles saem cedo para trabalhar, muitos já namoram, querem construir família. Todos saem ganhando", afirmou a secretária.

Ainda de acordo com Luzia, o espaço que já abriga 16 pessoas funciona essencialmente como uma alternativa para quem quer regressar para o mercado de trabalho. Assim como uma república, o local oferece alimentação, quartos, banheiros, lavanderia, sala com TV e internet. Lá, os moradores mantêm acompanhamento psicológico e têm tarefas a cumprir diariamente, como manter o espaço organizado e as roupas limpas.