As obras de revitalização do Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foram adiadas mais uma vez e deverão ter início somente a partir de julho deste ano, segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). Quando anunciadas, em junho de 2012, as intervenções estavam previstas para começar nos primeiros meses do ano seguinte, mas nada foi feito até agora.

Em nota, a Sudecap informou que “estão sendo feitas, neste momento, adequações de projeto e orçamento para tentar atender a algumas demandas dos comerciantes do local”. A informação, porém, pegou os lojistas de surpresa.

De acordo com o presidente da Associação Comercial do Barro Preto (Ascobap), Ricardo Lara, o último posicionamento da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) dava conta de que, até junho, seria dada a largada para a requalificação urbana do bairro.

“Na verdade, aguardamos essas obras há seis anos, então, já são 12 semestres de espera”, lamenta Lara, lembrando que problemas com recursos e com empreiteiras já foram entraves para o projeto – orçado em R$ 13 milhões – sair do papel.

Preocupação

Segundo o presidente da Ascobap, a expectativa é grande em torno das melhorias previstas para a região, que recebe, em média, 450 mil pessoas por dia, vindas de várias partes do Estado e do Brasil, principalmente do Nordeste. Por outro lado, a transformação do polo em um canteiro de obras preocupa alguns comerciantes, que temem passar pelas mesmas dificuldades pelas quais passaram os comerciantes da região da Savassi.

“Alguns estão mais resistentes, mas encaro isso como algo natural. Também sou comerciante no Barro Preto e tememos uma queda no faturamento, mas a prefeitura nos garantiu que teremos amplo acesso a todo o trabalho e ao cronograma de obras. Não é para ser feito tudo de uma vez”, adianta o coordenador do Conselho CDL Barro Preto, Fausto Izac.

Para ele, a insegurança de alguns lojistas é acentuada pelo atual cenário da economia do país, que vem desfavorecendo os negócios. Por isso, conforme Izac, a reivindicação principal é que haja diálogo entre os comerciantes locais e a administração municipal.

“Sabemos que esse é um transtorno temporário (instabilidade econômica), mas não abrimos mão de ter acesso ao cronograma, para que todos se programem e para que o comércio funcione normalmente durante as obras”, enfatiza.

Imbróglio

Na época do anúncio da revitalização do bairro, o Hoje em Dia mostrou, com exclusividade, que o projeto de renovação do polo de moda estava nas mãos da PBH em 2010. Desde a aprovação dos recursos, em 2012, o início dos trabalhos já foi adiado diversas vezes.

A prefeitura chegou a anunciar que começaria as intervenções em setembro de 2013 e entregaria o bairro renovado 15 meses depois. Mas um acordo com os comerciantes adiou as obras para depois da Copa do Mundo, no ano passado, para evitar que o empreendimento coincidisse com a instalação do Move.

Prefeitura adia mais uma vez a revitalização do polo de moda Barro Preto e lojistas temem prejuízos

Reconhecimento de circuito é esperança de melhorias

Há cerca de cinco anos, estavam instaladas no Barro Preto aproximadamente três mil lojas e 800 confecções. Hoje, não existe um balanço preciso do número de estabelecimentos do bairro, que vem registrando grande movimento de saída e de retorno de lojistas, desde 2010.

O presidente da Ascobap, Ricardo Lara, lembra que muitos migraram para outros polos de moda de Belo Horizonte – como Prado e Barroca, ambos na região Oeste da capital – em busca de melhores oportunidades, já que os negócios na região Centro-Sul estavam decaindo.

“Mas muitos deles têm retornado, nos últimos meses, porque não estavam conseguindo arcar com o aluguel nos outros bairros”, diz Lara.

Exigências

De acordo com ele, a revitalização do Barro Preto é um atrativo para os comerciantes que acreditam na possibilidade de a cidade ganhar ainda mais reconhecimento nos circuitos de moda brasileira e internacional. Mas, enquanto as obras estiverem em andamento, uma das exigências é que as lojas não sejam cobertas por tapumes.

“Se for para fechar o bairro todo para a reforma, o pessoal não vai aceitar. É preciso fazer em etapas programadas, de maneira que não prejudiquem os comerciantes, em especial os da rua Mato Grosso, que sofrerá mudanças drásticas”, afirma o presidente da Ascobap.

Conforme o projeto, a via terá as calçadas alargadas e só será permitido o trânsito local. O estacionamento rotativo deixará de existir, o que vem gerando preocupação e descontentamento de alguns.

“Cerca de 80% dos clientes estacionam aqui. Muitos já fazem a encomenda por telefone e vêm de carro só para buscar. Essa proposta vai nos prejudicar muito”, destaca a dona da loja Ana Passo, Ana Paula de Souza Santos.

Protesto

Segundo ela, alguns lojistas já estão programando manifestações e abaixo-assinados para protestar contra a reforma do bairro. “Ultimamente, temos que trabalhar três vezes mais para vender 30% menos. As obras vão piorar a situação”, lamenta Ana Paula.

Por outro lado, o proprietário da marca Garotada, Marco Polo Viriato, acredita que a mudança não causará problemas, já que a maior parte das vagas de estacionamento rotativo da região são utilizadas por profissionais que trabalham na área, e não por consumidores.

“Essa proposta vai colocar o Barro Preto em um modelo urbanístico que já acontece no mundo inteiro, com redução de tráfego de veículos e aumento do espaço para as pedestres”.

Viriato lembra que há anos a requalificação urbana do Barro Preto é esperada e aposta em resultados positivos. “Os moradores também serão beneficiados por um ambiente melhor, mais limpo e com mais segurança”.