Se você está pensando em comprar um cão de raça ou adquiriu um recentemente com a promessa de receber um animal imunizado fique atento. Segundo veterinários, para economizar, alguns criadores não estão vacinando adequadamente os bichos, expondo-os a doenças e causando prejuízo aos donos. O alerta é feito por médicos veterinários. 
 
Primeiro, um criador adquire vacinas de um veterinário, o que é proibido por lei, que por sua vez, entrega cartões de vacina em branco, porém carimbados. Isso faz com que o criador possa preenchê-lo da maneira que quiser, sem a comprovação de que aquele animal recebeu a dose de maneira correta. 
 
Veterinário há mais de 30 anos, Fernando Pinto Pinheiro conta que a vacina é fornecida em pó e deve ser misturada a um diluente, que vem em outro vidro. A quantidade é suficiente para imunizar um cão. “Mas o que alguns criadores fazem, por economia, é dividir essa solução e vacinar dois animais, colocando um selo em cada cartão de vacina. Quem compra o cachorro não sabe diferenciar”, explica.
 
Um dos casos que ele relata ocorreu há poucos dias. Uma cliente chegou com o cão de pouco mais de um mês de vida. Havia apenas um selo no cartão, mas a vacina indicada exige dois selos afixados”, conta. A vacinação incorreta pode levar a doenças fatais, como a leptospirose. 
 
Prejuízo
 
As irmãs Luciana Assis e Luciele Soares compraram, juntas, dois cães da raça Pug no início de março, de 45 dias, ao custo de R$ 1.200 cada. A promessa do vendedor era a de que os bichos viriam imunizados. “Combinamos de nos encontrarmos na clínica onde eu levaria os animais para vacinar e ele daria o desconto o valor total. Mas no dia marcado, ele não apareceu e depois me ligou, dizendo que eu podia buscar os cachorros, que ele mesmo já tinha levado para vacinar”, conta Luciana. Elas receberam cartões de vacina com apenas um selo e carimbado em nome de um veterinário, porém, sem assinatura.
 
Dias depois, Luciana levou um dos cães a uma clínica e, para a surpresa dela, foi informada de que o animal não estava imunizado. “Tive que pagar R$ 100 para colocar o cartão de vacinas em ordem”, lamenta.
 
Mesmo com o prejuízo, a mulher afirma estar aliviada por ter a certeza de que os animais estão bem. Ainda assim, ela afirmou que não pretende denunciar os envolvidos. “Me senti lesada, mas não vou fazer nada por enquanto”, desabafa Luciana.