Em pleno período tradicionalmente chuvoso, Minas Gerais registra recorde de incêndios florestais detectados por satélite. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, foram 147 focos de queimadas no Estado em janeiro deste ano.

O número é o maior dentre os meses de janeiro desde 1999, quando o Inpe iniciou a comparação diária do monitoramento de incêndios no Brasil. Em igual período de 2014, foram detectados 133 focos de calor.

De 1998 até 2015, a média para o mês é de 56. A situação pode se agravar, alerta o meteorologista do TempoClima PUC Minas, Heriberto dos Anjos. “Desde 1961, este é o janeiro mais seco de Belo Horizonte”, afirma.

As precipitações em 2015 variaram de 60 a 90 milímetros de chuva na região Central do Estado, onde a média histórica é de 200 milímetros. Em Belo Horizonte, a média em janeiro é de 274 e em dezembro, 292.

“Em janeiro, foram 94,7 milímetros de chuva, ou seja, 34% do previsto para a capital mineira. Em dezembro, as precipitações variaram de 30% a 40%”, compara Heriberto. Segundo ele, os oito janeiros mais secos (menos de 100 mm) dos últimos 54 anos ocorreram em 1963, 1971,1972, 1976, 1990, 2006, 2014 e 2015.

Para o meteorologista, a principal causa da seca prolongada é o posicionamento da zona de convergência do Atlântico Sul – corredor de umidade que se forma entre a Amazônia, Centro-Oeste e Sudeste, considerado o mecanismo garantidor de chuva para o Noroeste e Sudeste do país.

“Na região Central do Estado não está chovendo no período em que ocorre chuva, e faltam dois meses para acabar a estação marcada por precipitações. Como a seca vai de maio a setembro, a tendência é a de que as queimadas aumentem ainda mais”, conclui.

Brasil

O Inpe registrou 4.637 focos no mês passado no Brasil. Em janeiro de 2014 foram 2.634 focos. O recorde anterior para o mês foi observado em 2005, quando os satélites detectaram 4.047 focos nos primeiros 30 dias daquele ano.

“Isso não significa que 2015 será um ano mais crítico do que os anteriores”, explica o pesquisador do Inpe, Fabiano Morelli. “O pico das queimadas ocorre de agosto a setembro. Como 2014 foi um ano seco, com focos acima da média que reduziram a matéria vegetal disponível para queima, se a ocorrência de precipitação for normal em 2015 a tendência deste janeiro poderá ser revertida”.

Para os pesquisadores do Inpe, o aumento no número de focos deve servir de alerta para a sociedade. Embora o clima favoreça a propagação do fogo, a grande maioria das queimadas e incêndios florestais se inicia pela ação do homem.

Duas unidades de conservação atingidas nas últimas 48 horas

Nos dois primeiros dias deste mês, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram detectados seis focos de queimadas em Minas Gerais. Em fevereiro do ano passado, foram registrados 157 focos de incêndio.

Nas últimas 48 horas, de acordo com a página do projeto de Monitoramento de Queimadas do Inpe, ocorreram focos de incêndios em seis unidades de conservação do país. Duas estão localizadas em Minas: o Parque Nacional da Serra do Cipó, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e a Área de Proteção Ambiental Municipal (Apam) Jacroá, em Marliéria, no Vale do Rio Doce.

O Corpo de Bombeiros informou que atende chamados de queimadas de pequenas proporções, geralmente ocorridas em lotes vagos. O combate aos incêndios florestais, detectados por imagens de satélite, são atribuição da força-tarefa Previncêndio, criada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

O órgão foi procurado para informar os locais (municípios e unidades de conservação) onde ocorreram os incêndios do mês de janeiro, pelo menos os mais significativos, com os tamanhos das áreas destruídas pelo fogo. Porém, a assessoria da Semad respondeu que “devido ao curto prazo não seria possível levantar todos os dados”.

Previsão

Para fevereiro, a previsão é a de que a chuva ficará em torno da média histórica para o mês, que é de 188 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume, porém, é considerado insuficiente para encher os reservatórios do Estado.