Um balanço divulgado nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) apresentou os resultados da operação Amazona/Bicho do Mato, ocorrida na região Nordeste de Minas no mês de outubro. O objetivo da operação foi coibir o tráfico de animais silvestres em Minas Gerais. Na ação, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar de Meio Ambiente, foram apreendidos 674 animais, armas de fogo, armadilhas, anilhas, gaiolas, viveiros, entre outros artigos usados para captura e tráfico.
 
Cerca de 80 pessoas, entre agentes fiscais e policiais participaram da ação. Essa foi a maior operação de combate ao tráfico de animais registrada em Minas Gerais, desde o início da transição da gestão da fauna do governo federal para o estadual em 2013. Os alvos foram os municípios de Itaobim, Teófilo Otoni, Cachoeira do Pajeú, Almenara, Araçuaí, Padre Paraíso, Virgem da Lapa, Ponto dos Volantes, Itinga e Divisa alegre, além dos distritos de Itamarati, Machado Mineiro e São Francisco.
 
De acordo com o chefe de fiscalização da fauna da Semad, Daniel Colen, a Polícia Militar de Meio Ambiente executou um trabalho prévio de identificação do comércio ilegal da fauna silvestre e localizou os pontos de cativeiro. “A partir dessas informações, planejamos a ação com o Ibama e montamos, com o apoio da PRF, barreiras na BR 116, em diferentes municípios, para fecharmos o cerco aos traficantes”, afirma Daniel.
 
Entre os animais apreendidos estão 673 aves e um réptil, além de oito armas de fogo e 594 gaiolas. “Os animais encontrados em condição de soltura foram devolvidos ao habitat natural. Os demais foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Belo Horizonte”, informa Daniel. É estimado que, no Brasil, cerca de 38 milhões de exemplares de fauna sejam retirados anualmente da natureza e que aproximadamente quatro milhões deles sejam vendidos.
 
Tráfico de animais
 
Em geral, a fauna brasileira é retirada do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país e enviada para o Sudeste, por meio terrestre ou fluvial, abastecendo o comércio nacional. Na região do sudoeste baiano, por exemplo, o tráfico de animais silvestres é apontado como um problema socioambiental com sérias consequências para a avifauna nativa, sendo que o principal comércio nessa região ocorre ao longo da BR-116, bem como em feiras e pequenos comércios às margens da rodovia.
 
Um desafio para a fiscalização é identificar os locais de captura de fauna uma vez que os locais onde os animais são apreendidos, geralmente, não são os mesmos em que foram capturados. Além disso, a captura e a venda de animais silvestres e seus subprodutos não estão concentrados em apenas um local e nem sempre tem o mesmo destino. Após serem capturados, os animais passam pelas mãos de traficantes e podem ser  vendidos via internet, pet shops e feiras ilegais.
 
*Com Agência Minas