A Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais (PRE-MG) investiga possíveis atos de improbidade administrativa praticados por servidores públicos que se candidataram nas eleições municipais de 2012. Ao todo, já foram encontrados 1.463 servidores com candidaturas suspeitas. Todos eles disputaram o cargo de vereador.
 
O levantamento feito a partir de informações fornecidas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) adotou um critério que correlacionou o total de votos obtidos (menos de 10 votos) e gastos de campanha (despesas inferiores a R$ 2 mil). Com o avanço das investigações, a área de abrangência foi ampliada para cruzar também os dados de candidatos que, tendo efetuado gastos superiores a dois mil reais, obtiveram até cinco votos.
 
O resultado dos cruzamentos apontou a inexistência de situações irregulares quanto a servidores públicos que se candidataram nas eleições federais e estaduais de 2010 e 2014. Do total das candidaturas suspeitas, 13 são servidores federais, 112 estaduais e 795 municipais. Outros 543 registraram-se como servidores públicos, mas não informaram a esfera de atuação. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), 379 desses candidatos não receberam nenhum voto nas urnas e 181 receberam um único voto.
 
O município que mais apresentou candidatos servidores suspeitos foi São Romão, no Norte do Estado, com 18 ocorrências. Pintópolis vem em seguida com 13 ocorrências, depois, Indaiabira, com 11; Cachoeira do Pajeú, com 10, e Setubinha, também com 10 candidatos. Conforme o MPF, em municípios muito maiores, como Belo Horizonte e Uberlândia, por exemplo, foram encontradas apenas quatro ocorrências suspeitas em cada uma.
 
“Essa correlação, por si só, já aponta para uma situação de anormalidade”, afirma o procurador regional eleitoral Patrick Salgado Martins. “Se, ao final das investigações, ficar comprovado que tais servidores inscreveram-se como candidatos apenas para usufruir o afastamento remunerado de três meses a que fazem jus por força de lei, sem que tenham feito qualquer campanha eleitoral efetiva em prol de sua candidatura, eles poderão responder por ato de improbidade administrativa”. 
 
O procurador eleitoral explica que o recebimento do salário sem a correspondente prestação do serviço, muito menos sem o cumprimento da finalidade de que se originou o afastamento, pode configurar “enriquecimento ilícito, que é uma das causas de improbidade administrativa”.
 
Os servidores suspeitos serão investigados pelo Ministério Público Federal, caso sejam servidores federais, e pelo Ministério Público Estadual no caso de servidores estaduais e municipais.
 
(*Com MPF)