O tratamento contra o câncer não é batalha fácil, mas se não fossem a ajuda e as palavras carinhosas de voluntários poderia ser ainda mais penoso o caminho até a cura.


As mulheres da Volmape (Voluntárias do Instituto Mário Penna), por exemplo, realizam atividades terapêuticas, oficinas de arte, doações sociais e até mesmo prestam apoio financeiro às pacientes. “Nosso objetivo é fazer com que essa fase seja vivida da melhor forma possível, seja com uma palavra de carinho ou com a entrega de uma peruca. A recompensa é ver como essas pessoas estão vencendo a luta”, destaca Maria Ângela Ferraz, presidente do grupo criado há 40 anos.


Há um ano lutando contra o câncer, a aposentada Maria das Graças Neves encontrou no trabalho das voluntárias o amparo para o tratamento. “Precisava de companhia e de alguém que me acompanhasse nessa caminhada tão difícil”.


Para o presidente do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Porto Fonseca, o voluntariado é um importante aliado durante o processo de tratamento. “São pessoas abertas a ajudar e acabam proporcionando melhorias na condição do paciente”.


ENTREGA


Os trabalhos são desenvolvidos nos hospitais Mário Penna e Luxemburgo e na Casa de Apoio Beatriz Ferraz, que tem o nome de uma das fundadoras do grupo de ação voluntária. Este último abriga pacientes de 427 municípios, no bairro Santa Teresa, graças a 33 voluntárias.


As visitas aos doentes ocorrem três vezes por semana. A cada encontro, são entregues kits de higiene com lenços, bonés e perucas, além de roupas, alimentos e remédios. “Muitos desses pacientes são carentes e precisam desse suporte durante o tratamento”, explica a engenheira ambiental e voluntária, Ana Flávia Ferreira, de 23 anos.


REFORÇO


Há sete anos, a Casa de Apoio a Pessoas com Câncer (Capec) também se dedica a auxiliar pessoas carentes em tratamento contra o câncer.


“Trazemos auxílio para famílias e pacientes. A ideia é minimizar o sofrimento dessas pessoas”, explicou o gerente da Casa, Daniel Luiz Sales Pires.


Atualmente, o local atende a 120 famílias, que passam por lá para a utilização de serviços de assistência social e odontológica, além de terapia ocupacional.


Pacientes utilizam web para dividir experiência


“A troca de experiências ajuda a minimizar a dor”. A afirmação é da relações públicas Gabriela Oliveira de Almeida, de 33 anos. Em junho de 2013, ela descobriu, por acaso, um nódulo na mama direita. “Não imaginava que minha vida mudaria durante um banho”, disse.


Com apoio de familiares e amigos, Gabriela aguentou firme as sessões de quimioterapia e radioterapia, venceu a doença e decidiu partilhar a experiência dedicando-se a uma página no Facebook. “Meu objetivo é elevar a autoestima de quem sofre com o câncer. É trazer bem-estar e informação aos que visitam a página”, aponta.


Os mais de 600 seguidores da página “Câncer e Estilo” encontram dicas nutricionais, de beleza e depoimentos motivacionais.
A pedagoga e palestrante Mara de Paula Souza Alves, de 35 anos, está em tratamento contra um linfoma Hodgkin. Ela, por meio de um blog, decidiu ajudar outras pessoas. Com muitas dúvidas a respeito da doença, Mara passou a estudar o assunto sobre o qual escreve de maneira divertida. “Decidi levar a vida de maneira leve e com bom-humor”.


Com mais de 2 mil seguidores no blog chamado (Sobre)viver, ela compartilha momentos da vida, dicas de beleza e de alimentação.


“O nome sugestivo traz, em sua essência, um trocadilho proposital, pois, mais do que falar como sobreviver ao câncer, a intenção é simplesmente falar sobre viver”, destaca.