Após dois anos e oito meses, a prefeitura de Belo Horizonte começa a retirar o entulho do edifício do Carmo, que desabou em 2 de janeiro de 2012, no bairro Caiçara, região Noroeste de Belo Horizonte. A tragédia deixou uma pessoa morta, outra gravemente ferida e oito famílias sem ter onde morar de um dia para o outro. 
 
A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) não confirmou quando as obras começaram no local, mas moradores relataram que teria sido nessa quarta-feira (3). Segundo a Sudecap, uma ordem de serviço foi assinada em agosto deste ano para a execução das obras de estabilização das encostas da rua Passa Quatro, onde o prédio caiu. 
 
A Sudecap informou que o entulho será encaminhado para um lixão, localizado na BR-381, mas que, caso algum objeto em “condições de ser recuperado” seja encontrado, o mesmo será coletado e “colocado à disposição dos moradores em local adequado no próprio canteiro da obra”. 
 
A Sudecap alegou ainda que houve uma reunião com representantes dos moradores e ficou combinado que eles poderiam acompanhar a remoção do entulho de uma “distância segura”. O representante comercial,  Helvécio José Tibães, de 52 anos, que morava no edifício, afirmou, porém, que nenhuma reunião foi feita. “Eu descobri que a remoção do entulho havia começado por acaso, porque passei pelo local na quarta-feira (3). A prefeitura tinha dito que iria combinar conosco o acompanhamento da retirada do entulho, mas isso não foi cumprido”, disse.
 
Segundo Tibães, nesta sexta-feira (5), depois de dois dias insistindo com representantes da Sudecap e da empresa vencedora da licitação, conseguiu uma autorização para acompanhar os trabalhos. “Eu e mais um morador começamos a acompanhar hoje (5), mas ontem (4) um cilindro para a canalização de gás foi retirado e simplesmente sumiu. Aonde foi parar esse cilindro? A gente não podia acompanhar, mas alguém teve acesso aos nossos pertences”, afirmou. O representante comercial disse que, nesta sexta-feira, foram encontradas nos escombros fotografias e talheres de seus antigos vizinhos. “Isso mostra que restou alguma coisa”, reforçou.
 
De acordo com Tibães, até agora, a perícia da Polícia Civil, que apontará as causas do desabamento do edifício, não foi concluída. “Não sabemos o que levou o prédio a cair porque a conclusão da perícia dependia da remoção do entulho. E, por isso, a juíza não culpou ninguém pelo desastre e estamos esse tempo todo sem assistência da prefeitura e dos outros órgãos públicos”. 
 
A Sudecap informou que as obras, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2015, custarão R$  2.936.137,63.