A Justiça autorizou nesta terça-feira (2) a implosão da alça norte do viaduto Batalha dos Guararapes. No entanto, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá que cumprir algumas condicionantes. Caso contrário, o trabalho será suspenso. A princípio, a implosão está marcada para acontecer no próximo dia 14. Contudo, conforme a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), a data pode ser remarcada para o dia 21 caso seja necessário.
 
Conforme determinação do juiz Renato Dresch, até o dia 10 a prefeitura terá que apresentar o plano de remoção dos moradores. Já os imóveis que ainda não foram vistoriados, os que estão no perímetro crítico de 50 metros da alça, deverão ser avaliados pela Defesa Civil até dia 12.
 
Nesta manhã, cerca de  60 moradores e comerciantes participam da audiência de conciliação. A psicóloga voluntária acionada pela associação de moradores disse estar preocupada com a saúde dos condôminos. No parecer dela, há relatos de pessoas que estão sofrendo estresse pós-traumático e risco de suicídio. O juiz disse que vai tratar desse assunto em outra ocasião, uma vez que o foco da audiência era resolver a questão do viaduto para que a vida comece a voltar ao normal.
 
A advogada da associação, Ana Cristina Drummond, disse ao juiz que os moradores ficaram insatisfeitos com a apresentação do plano de demolição, na segunda-feira (1º). "As cerca de 20 perguntas sobre a implosão que relacionamos não foram respondidas. Continuamos com muitos questionamentos", disse.
 
Implosão
 
A implosão ficará sob a responsabilidade da empresa carioca Fábio Bruno Construções, contratada pela Cowan, e está marcada ocorrer às 9 horas. Uma série de medidas de segurança serão adotadas para evitar acidentes. 
 
Dados coletados in loco, como peso da estrutura, tamanho das vigas e até mesmo uma análise do solo foram lançadas em um software que já fez a simulação da implosão, contou Fábio Bruno Pinto, sócio da empresa. Ele diz que serão feitos furos nos três pilares que sustentam o viaduto e, nos buracos, serão colocados 125 quilos de explosivos.
 
"Três segundos é o tempo da implosão. Faremos uma espécie de vala nas duas extremidades do elevado para minimizar o impacto do tremor". Além disso, telas metálicas e uma manta geotextil serão colocados em volta dos pilares para evitar o lançamento de fragmentos.
 
Em um raio de 15 metros, será sentido um abalo de 17 milímetros/segundo, um impacto pequeno, segundo o especialista. Caso aconteça algum acidente, a empresa conta com um seguro que arcará com qualquer despesa. A retirada dos escombros, que também está sob a responsabilidade da Cowan, será feita entre os dias 14 e 21. A previsão da Prefeitura é que, após essa data, o trânsito na via volte a ser liberado.
 
 
*Com Raquel Ramos