Com uma frota de 2 milhões e 162 mil motos, de acordo com o Denatran, Minas Gerais precisa de políticas de educação no trânsito e ações que garantam mais segurança para motociclistas. Esses e outros assuntos foram apresentados no 4º Fórum do Motociclismo Mineiro, realizado nesta sexta-feira (22), em Belo Horizonte. 
 
O evento reuniu setores público e privado, entre representantes de associações de classe e de fabricantes, montadores e órgãos ligados ao setor. Foram apresentadas propostas, desde a formação de condutores e instrutores, até os investimentos em tecnologia para diminuição dos acidentes. 
 
“Estamos nos reunindo há quatro anos para melhorar esse quadro”, disse o diretor da Câmara Setorial de Duas Rodas da CDL. Segundo ele, os debates do fórum serão formalizados em um documento, que será enviado à Prefeitura e ao Governo do Estado. “Queremos mostrar a importância dos investimentos na área”. 
 
A coordenadora de educação de trânsito do Detran de Minas Gerais, Maria Cecília Lopes de Abreu, destacou a importância de uma formação mais focalizada para motociclistas. “Nós sabemos da deficiência na formação do motociclista. Como está não pode ficar”, disse a coordenadora. Ela falou de uma proposta já encaminhada ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que sugere alterações na formação de motociclistas e instrutores e uma subdivisão da categoria de habilitação.
 
A proposta do Detran subdivide a categoria A, em A1, para veículos até 300 cilindradas, e A2, acima de 300 cilindradas. A formação nas aulas teóricas e práticas também seriam alteradas. A teoria, hoje com 45 horas/aula, seria desmembrada em 30 horas/aula gerais e 15 especificas. As aulas práticas, atualmente 40 horas em pista fechada, passariam para 20 horas em fechada e 20 no trânsito. “Esse é um grande problema hoje. O aluno é avaliado em pista fechada e depois vai para a via pública”, afirmou Maria. 
 
 
ACIDENTES
 
O coordenador de plantão do Hospital João XXIII, Marcelo Lopes Ribeiro, apresentou um balanço dos traumas envolvendo motociclistas. Segundo ele, até julho deste ano, foram 3.969 pacientes e 51 óbitos de pessoas que utilizavam motos. Em todo ano passado, foram 7.131 pacientes e 101 óbitos. “Esse é um grande gasto para o país”, disse. 
 
Ribeiro falou também da importância de um resgate correto. De acordo com ele, a boa vontade dos populares é muito maior do que o conhecimento para socorrer uma vítima. “A sequela acaba sendo muito maior”, afirmou. 
 
 
QUEDA DO SETOR
 
Segundo representante da Associação Brasileira de Motocicletas, Sérgio Martins de Oliveira, as vendas do varejo recuaram 4% de 2014 para 2013. Foram 30 mil unidades que deixaram de ser comercializadas no Brasil, este ano. De acordo com ele, em Minas houve um recuo de 2% nas vendas. “As vendas do varejo recuaram com a recessão da economia, mas o sudeste ficou um pouco mais estável”, disse. 
 
 
Saiba Mais 
 
O Fórum faz parte das comemorações do dia do motociclistas, organizado pela CDL Belo Horizonte e pela Production Eventos. No domingo (24), haverá várias atrações na Praça Geralda Damata Pimentel, na Pampulha, como curso de pilotagem defensiva, campanhas e palestras.