Entre os corredores recém-restaurados, histórias que se confundem. De dentro do balcão, gente que há anos se aperfeiçoa na arte de servir bem. E do lado de fora, sem o tradicional empurra-empurra da disputa por atenção, a clientela fiel. Na contagem regressiva pela chegada dos 40 anos, comerciantes e fregueses do Mercado Distrital do Cruzeiro, na zona Sul de Belo Horizonte, relembram casos em comum e não poupam elogios quando o assunto é o carinho e o amor que têm pelo lugar.

Tímida, escondida entre os tomates vermelhinhos que expõe na organizada bancada, dona Guiomar Lúcia de Almeida, de 83 anos, ostenta o título de feirante mais antiga do mercado. Sobre quando chegou ao espaço, é categórica. Vai logo dizendo. “Quando abriu as portas”.

Inaugurado em 1974 para dar espaço aos comerciantes das feiras livres da cidade, o Distrital do Cruzeiro sopra velinhas daqui a 120 dias, mais precisamente em 14 de dezembro. Mas, afinal, o que são quatro meses para quem vive ali ou frequenta o espaço há quatro décadas?

“Há quem diga que aqui é uma verdadeira terapia de grupo, já que todos se conhecem. É um ambiente bem familiar”, define o já famoso Tião do Biscoito, que chegou por lá há 37 anos. Na barraca dele, não faltam ingredientes para deixar feliz e fidelizar a extensa clientela. “Ele é mil. Trata todo mundo pelo nome, vende fiado e até empresa dinheiro”, brinca a pedagoga Otacília Maria Alves Ribeiro, de 68 anos, que dia sim, dia não, bate ponto no mercado para levar para casa os quitutes caseiros.

Quem também já se habituou à rotina tranquila, de levar à mesa dos clientes cebolas e batatas sempre fresquinhos, foi seu José Afonso, de 62 anos, mais de 50 deles dedicados ao ofício de negociar.

“Cheguei aqui como empregado e, com o tempo, virei patrão”, conta, de dentro da barraquinha que parece a cozinha de casa.

Tradicional varandinha do Mercado do Cruzeiro, o Imperium Bar e Restaurante é quem faz movimentar o local, principalmente no horário de almoço. Difícil encontrar quem passe por ali sem provar as delícias mineiras que saem daquela cozinha.

De tutu com linguiça à feijoada completa. “Pelo menos 750 pratos às sextas-feiras”, revela o proprietário da casa, Adriano Caetano. O segredo é o toque do chefe, ou melhor, do patriarca. “É meu pai quem tempera e faz todas as carnes. E o pessoal adora”, diz.