Pesquisa feita em Minas poderá ser a salvação da lavoura do outro lado do mundo. Literalmente. Professores e alunos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) buscam meios de aumentar a produtividade de limão galego e manga em Omã, no Oriente Médio.

Junto à tâmara, as duas frutas estão entre as mais consumidas no país. Mas a justificativa para a parceria vai além do paladar. O governo vê na agricultura uma alternativa para o futuro, já que o petróleo, base da economia atual, não é um recurso renovável.

A universidade mineira entrou em campo a convite da Vale. A mineradora tem uma unidade em Omã e foi procurada para dar suporte no controle das pragas que dizimam as duas plantações.

Um problema e tanto. Estima-se que 98% dos pés de limão cultivados por lá estejam contaminados com a vassoura de bruxa. A doença ameaça até o abastecimento do mercado interno, em um país que já chegou a exportar a fruta.

A situação da manga também é delicada. Boa parte das plantações foi atacada pelo fungo Ceratocystis fimbriata, que causa a seca e a morte da mangueira.

DESDOBRAMENTOS

Os trabalhos envolvem pesquisadores de várias áre[/LEAD]as, e a previsão é a de que os relatórios finais sejam entregues em 2015.

Mas o coordenador-geral do projeto, professor Acelino Couto Alfenas, diz que há potencial para que os estudos continuem.

“Todo mundo sai ganhando, e o Brasil, mais ainda. Uma das vantagens é a geração de recursos humanos. Estamos formando muita gente, alunos de graduação e pós, para atuar na área”.

Além disso, cita, há geração de emprego, abertura de bolsas de estudo e modernização de laboratórios. Só nesse projeto, o investimento da Vale superou R$ 8 milhões.

Sem falar nos resultados práticos. Enquanto a UFV investiga como as pragas atuam e o que fazer para controlá-las, aprimora técnicas que poderão ser usadas em outras partes do Brasil e, quem sabe, até do planeta.

No caso do limão galego, um fitoplasma (bactéria) semelhante ao que causa a vassoura de bruxa foi identificado por aqui, mas sem provocar sintomas nas plantas.

“No futuro, porém, isso pode ser um problema. Estudar o agente da doença e como combatê-la lá fora ajuda a prevenir que algo semelhante aconteça no nosso país”, diz o engenheiro agrônomo Renan Batista Queiroz, um dos participantes da pesquisa.