O presidente da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), José Lauro Nogueira Terror, admitiu no fim da manhã desta sexta-feira (4), em coletiva à imprensa, falha de fiscalização da secretaria nas obras dos viadutos do corredor Pedro I. Conforme ele, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) é corresponsável pela queda de uma das alças do elevado Batalha dos Guararapes, na tarde desta quinta-feira (3).
 
O secretário não quis detalhar quais foram os erros nas vistorias e disse que todo o processo é observado no diário da obra. “Entendemos que sim, houve um erro. Independente da presença das empresas contratadas para o auxílio à fiscalização. A PBH sempre manteve pessoal próprio para a atividade”, disse.
 
O superintendente ainda negou que exista falta de pessoal para a atividade e que as equipes estavam diariamente no canteiro de obras, coletando materiais de ensaio do local, que são enviados para análise em laboratório.
 
Sobre a responsabilidade da obra e o que ocorreu, José Lauro não quis apontar uma possível causa para o desabamento de uma das alças do viaduto. “Expressamos nossos sentimentos a todos aqueles que tiveram consequências em função do evento. Agora estamos em uma etapa de apuração das causas do acidente. Somente após essa identificação, feita por especialistas e peritos contratados pela prefeitura, é que vamos apontar os responsaveis. A responsabilidade é solidária das várias entidades e empresas que participaram do processo, inclusive da Sudecap”, afirmou.
 
O presidente da Sudecap disse que todos os documentos da obra, como projetos e cronogramas, serão entregues à Polícia Civil e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) nesta sexta-feira.
 
Retirada prévia
 
O secretário negou que houve aceleramento da obra ou retirada prévia das escoras. “O (viaduto) Guararapes não tinha meta para ser entregue antes da Copa. Prevíamos liberar para o tráfego no início de agosto”, afirmou.
 
Além disso, sobre as acusações de especialistas que apontaram a retirada antecipada das escoras da estrutura e que o processo teria sido realizado de forma e em horário inadequados, quando devia ser feita de forma isolada e horário noturno, José Lauro informou que o processo foi feito de acordo com padrões de engenharia. 
 
“Em nenhum momento essas escoras foram retiradas contrariado os padrões de engenharia. Não é um processo automático. É uma tarefa que exige vários exames e testes. Tudo foi feito com muita consequência por parte da empresa e prefeitura. Tomamos os cuidados de manter os escoramentos no tempo necessário. Também não é importante o momento do dia que é retirada”, afirmou.
 
O presidente da Sudecap também enfatizou que a retirada das escoras levou semanas. “É um processo progressivo e planejado. O material é tão volumoso que se fosse possível retirá-lo de uma só vez, não teríamos condições de transportá-lo. Esse tipo de estrutura elevada, em função do peso e design recebe continuamente ensaios, em todas as fases”, informou o superintendente.
 
Vistorias
 
Assim como sugeriu especialistas em engenharia ouvidos pelo Hoje em Dia, todos os outros três viadutos entregues e em construção sobre a avenida Pedro I – Montese, Monte Castelo e Oscar Niemeyer - serão periciados nos próximos dias pela Sudecap. “A prefeitura conduzirá exames adicionais, com base nos testes já executados, procurando garantir a segurança da população”, adiantou.
 
Além disso, informou que assim que os trabalhos de perícias e investigações fossem concluídos, ainda sem previsão de data, será iniciado a remoção dos escombros. A previsão do superintendente é que, após a liberação do local, os escombro sejam retirados em um prazo de 24 horas. “Não será usada implosão, mas demolição mecânica, ou seja, com máquinas, que já estão no local”, disse José Lauro.