Só mesmo a boa vontade dos mineiros para amenizar o sofrimento dos turistas estrangeiros na hora de se comunicar em Belo Horizonte. A maioria reclama da falta de conhecimento – mesmo básico – de inglês ou espanhol no comércio e no setor de serviços. A falta de preparo, em muitos casos, foi opcional. Sindicatos, associações, órgãos governamentais e associações de classe vêm oferecendo cursos gratuitos desde 2012. No entanto, a adesão foi pequena.
 
Na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), por exemplo, nenhuma turma foi formada por falta de alunos, segundo o vice-presidente, Anderson Rocha, acrescentando que a falta de fluxo constante de estrangeiros em BH “desestimula o aprendizado de um segundo idioma”. 
 
O presidente do Sindicato dos taxistas, Ricardo Faedda, conta que a entidade fez parcerias para oferecer cursos à categoria. Mesmo necessária para atender bem os turistas, a preparação, porém, não foi obrigatória. Profissionais ouvidos pela reportagem alegaram falta de tempo para aprender outro idioma. 
 
“Os que se interessaram oferecem um diferencial no serviço”, admite Faedda.
 
Há 18.600 bares e restaurantes na capital, mas apenas 1.500 profissionais em 150 estabelecimentos foram capacitados, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG).
 
Entre os turistas que encontraram dificuldade estão os franceses Anthony Hoisson e David Girod, ambos de 37 anos. Eles foram a vários restaurantes da zona Sul, mas não encontraram um cardápio traduzido ou um garçom bilíngue, e tiveram que buscar outros locais para comer. 
 
“Não sabíamos o que pedir. Já viajei por outros países e reparo que, no Brasil, poucas pessoas falam inglês, em relação a outros locais”, afirmou Anthony.
 
Os ingleses Kevin Bond, de 44 anos, e Jayme Hilton, de 42, também tiveram a mesma percepção.
 
“Não chega a ser um impedimento, pois as pessoas são amigáveis. Porém, há falta de informações traduzidas até em locais turísticos”, desabafou.
 
Já o casal chileno – os engenheiros Javier Olivares, de 28 anos, e Paulina Cordoba, de 27 –, arriscam o “portunhol” para conseguir se comunicar com os brasileiros. Ainda assim, tiveram dificuldade com um taxista.
 
“Pedimos para ele nos levar a um shopping no Centro, mas acabou nos deixando em outro lugar”, disse Javier.