Por causa da atividade minerária, que compromete a sobrevivência de dezenas de nascentes na região metropolitana de Belo Horizonte, moradores e integrantes de movimentos em prol do meio ambiente pedem a ampliação de um monumento de preservação no município de Brumadinho. Com o objetivo de mobilizar a sociedade e sensibilizar políticos para a aprovação e efetivação de projetos já existentes, centenas de pessoas se reuniram, nesta segunda-feira (21), para dar um abraço simbólico na Serra da Moeda.
 
No ano passado, o prefeito da cidade anunciou o aumento do Monumento Mãe D’Água dos atuais 200 para 500 hectares. Três meses depois, ele mudou de ideia e recuou no decreto que havia publicado anteriormente. “O pedaço que está preservado não engloba as nascentes que abastecem a região. Precisamos que isso seja reconhecido no âmbito municipal e estadual”, explicou Beatriz Vignolo, da Ong Abrace a Serra.
 
Um projeto de lei que contempla o pedido dos moradores e ambientalistas está em tramitação na Assembleia Legislativa. Há dois anos está parado na Comissão de Meio Ambiente. A ampliação do monumento garantiria a preservação de uma área onde estão localizadas cerca de 30 nascentes, responsáveis pelo abastecimento de mais de 10 mil famílias em Brumadinho, Moeda e Belo Horizonte. Um recurso natural cada vez mais ameaçado pela proximidade das mineradoras.
 
Problema que passou a fazer parte do cotidiano de centenas de famílias, temerosas do que pode ocorrer no futuro. “O que adianta explorar, se um dia não vamos ter mais água. O que é mais importante? É como dizem, quando o homem destruir a última árvore vai ter que começar a comer dinheiro”, afirmou a moradora da região e integrante da Ong Amo Moeda, Ingrid Andrea Rebolledo Pizarro, de 60 anos.
 
Opinião compartilhada pelo microempresário de Belo Horizonte Carlos Moreira Costa, 54 anos. “A situação é preocupante e já é possível sentir os efeitos do abastecimento precário de água em Nova Lima. É uma causa que deve ser abraçada”, avaliou.
Frequentadora assídua do evento, a advogada Sílvia Castelo Branco, 36 anos, está confiante na vitória pela causa. “É um verdadeiro oásis na Grande BH que tem que ser preservado.” Algo que deve ser mantido para as gerações futuras. “Daqui a alguns anos vamos brigar por causa de água. Temos que pensar nos nossos filhos e netos”, destacou a gestora pública Girlene Galgani, 51 anos.