O rigor da Lei Seca, que ganhou as ruas, esvaziou os copos de cerveja e reduziu em 30% os acidentes de trânsito, é o exemplo a ser seguido para se ter um convívio mais civilizado entre motoristas e pedestres. Além dessa medida a curto prazo, especialistas em trânsito e educadores são unânimes em apontar a necessidade de mudanças na lei, exigindo a obrigatoriedade do tema nas salas de aula.

“Quem para numa faixa de pedestres ou comete outra infração de desrespeito ao próximo tem que saber da possibilidade de punição. Os vícios atuais devem ser combatidos com rigor, a exemplo da Lei Seca”, disse o advogado especialista em trânsito, Carlos Cateb, que participou da elaboração do Código de Trânsito Brasileiro, em 1998.

Na outra ponta, a longo prazo, está a educação. “Existe uma consciência da importância de se tratar o assunto com os estudantes, mas isso não é uma exigência”, apontou a coordenadora de Educação de Trânsito do Detran, Maria Cecília Lopes de Abreu.

Quem também engrossa o coro de que a educação no trânsito deve começar na infância é o escritor Ronaldo Simões Coelho. Na última quarta-feira, ele lançou um livro sobre o tema. “Não é uma obra didática”, ressaltou. Mas é inevitável que, após a leitura, os mais novos e os adultos façam uma reflexão.
Com o título “Três Cidades”, o livro conta a história de um lugar onde todos os carros sumiram, outro onde o trânsito é caótico – como hoje – e um terceiro no qual os próprios pequenos ajudam os adultos a se comportar. “A lição é que, antes de dominar o trânsito, os motoristas precisam se dominar”, disse. Ele espera que esteja contribuindo a formar motoristas mais cuidadosos. O Departamento de Estradas e Rodagem distribuirá os livros gratuitamente para as bibliotecas públicas.

De olho nos futuros motoristas, a Transitolândia da PM recebe, em média, cerca de cem crianças, por dia. A agenda já está lotada até o fim do ano. (Com Raquel Ramos).