Os três pilares da recuperação de um dependente químico são: família, instituições de apoio e força de vontade própria. Essa é a opinião de B.S.O, que sofreu com o alcoolismo e ainda faz terapia como um acompanhamento na Associação Mineira de Pais e Amigos para Prevenção e Recuperação do Abuso de Drogas (Ampare).
 
Para a terapeuta ocupacional e especialista em drogodependências Raquel Martins Pinheiro, a vontade do dependente em começar o tratamento é primordial, sendo o papel da família dar suporte emocional. “A família é o único ponto da vida do sujeito que não desiste dele”, afirma Raquel, que é diretora do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas.
 
Segundo ela, na configuração brasileira de família atual, essa função é mais frequentemente assumida por mães e irmãos. No entanto, como muitas vezes as mães “passam a mão na cabeça dos filhos”, restando aos irmãos a ação de cobrar uma posição do sujeito em relação ao tratamento – como foi o caso de B.
 
Essa foi, inclusive, a conclusão de uma pesquisa feita em 2010 no CMT, chamada de Redes Sociais, que identificou a rede de suporte do tratamento de usuários de drogas, bem como as pessoas de convívio que ajudam e atrapalham no processo. Enquanto a família é aliada, colegas e parceiros podem dificultar a recuperação quando também são dependentes.
 
Tratamento na Ampare
 
O foco do tratamento para os dependentes químicos na Ampare não é a droga em si, mas o próprio indivíduo. A coordenadora clínica da instituição, Cristiana Abreu Souza, lembra que a dependência química é um sintoma e não a causa de certos comportamentos. Geralmente, ela é causada por problemas como baixa autoestima e falta de amor próprio. 
 
O tratamento é feito em cinco etapas. A primeira é o Acolhimento, feito com a família e/ou dependente, com avaliação do caso. No Centro de Triagem, acontece o direcionamento à semi-internação, internação ou ambulatório.
 
A internação dura nove meses e é feita exclusivamente para homens na fazenda da Comunidade Terapêutica Ampare, em Divinópolis (Centro-Oeste de Minas). O ambulatório confere atendimento psicológico e a semi-internação ocorre diariamente, das 7h30 às 18h, compreendendo um período de três a seis meses. 
 
A quarta etapa é a Ressocialização, com visitas dos residentes aos familiares. Depois, o interno faz um programa de prevenção de recaídas e, por fim, acontece a graduação e os encontros semestrais dos ex-residentes.
 
“Outro ponto trabalhado na Ampare é a espiritualidade. Ninguém tem obrigatoriedade de religião, mas conversamos com as pessoas sobre conceitos espirituais como honestidade, compaixão, gratidão, amor ao próximo e humildade”, revela Cristiana.