Apesar de ser o segundo estado mais atingido pelas chuvas, Minas não receberá de imediato verba extra do governo federal. A ajuda será repassada diretamente aos municípios, por meio de um cartão magnético para bancar reparos emergenciais. O anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff, durante visita ao Leste mineiro, na sexta-feira (27). Ela sinalizou que recursos poderão ser liberados pela União, desde que haja um pedido oficial do governador Antonio Anastasia.
 
Em Minas, entre a noite de quinta-feira e a madrugada de ontem, quatro cidades foram atingidas por fortes temporais: Mantena e Virgolândia (Vale do Rio Doce), Buritizeiro (Norte) e Coronel Fabriciano (Vale do Aço).
 
Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), 84 municípios sofreram danos nesta temporada chuvosa e 51 decretaram situação de emergência. Estão desalojadas 6.959 pessoas e 2.460, desabrigadas. Com a localização de dois corpos em Virgolândia e um em Buritizeiro, os mortos chegam a 21. 
 
Sem cartão
 
O Cartão de Pagamento da Defesa Civil (CPDC), previsto em um decreto de 2010, será usado para cobrir pequenos gastos emergenciais, como conserto de pontes entre bairros, compra de materiais para socorro e assistência às pessoas atingidas. Não há limite, mas todo gasto tem que ser justificado e será monitorado. 
 
Dos municípios em situação de emergência, 26 estão na região Leste e no Vale do Rio Doce. Desses, apenas seis têm o cartão da Defesa Civil. Hoje, a Cedec reunirá os prefeitos da região em Governador Valadares para ajudar nos procedimentos para que seja o cartão seja solicitado. “Passada essa emergência, vamos identificar, junto às prefeituras, as necessidades em termos de reconstrução e levar os projetos ao governo federal, como pontes, asfaltamento, ruas, habitação”, diz o governador. 
 
Busca por pessoa desaparecida continua 
 
O Corpo de Bombeiros vai retomar neste sábado (28) as buscas a uma pessoa que desapareceu durante a tromba d’água em Virgolândia, no Vale do Rio Doce. Dois corpos foram localizados na manhã de sexta-feira, após a mobilização de uma equipe com dez homens e um helicóptero. 
 
As vítimas se afogaram após o transbordamento do rio Palmital, que corta a cidade e subiu mais de três metros em relação ao nível normal. Um rastro de destruição foi deixado na área central do município, de 5.590 habitantes. Muitos imóveis erguidos às margens do rio foram destruídos.
 
O prédio da prefeitura, comércio e lojas foram invadidos pela correnteza. Serviços de telefonia, internet e abastecimento de água foram interrompidos. Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), a principal demanda na cidade é por água potável.
 
Coronel Fabriciano
 
Mais de 71 casas desabaram em Coronel Fabriciano após o temporal que caiu sobre o Vale do Aço entre a noite de quinta-feira e madrugada de ontem. Segundo a Defesa Civil Municipal, praticamente toda a cidade foi afetada com a cheia do ribeirão Caladão.
 
Seis pontes foram destruídas e bairros inteiros, como o Sílvio Pereira 1, estão isolados. A água chegou a subir entre 1,80 metro e até 2,5 metros em determinados locais.
 
Previsão de pancadas de chuva
 
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) informou que há previsão de chuva hoje para grande parte do Estado. O céu ficará parcialmente nublado, com períodos nublados e chuva em forma de pancadas, que podem ser localmente fortes e vir acompanhadas de raios e rajadas de vento ocasionais no Noroeste, Norte, Centro do Estado e Triângulo Mineiro. As demais regiões terão sol com nebulosidade variável e pancada de chuva em áreas isoladas.