A participação de monitores internos em fuga cinematográfica registrada no primeiro Complexo Penitenciário Público Privado (CPPP) de Minas Gerais, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, é investigada. Policiais designados pela Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds) e funcionários da empresa do grupo GPA estão apurando essa possibilidade. O presidiário Fábio Alves, que fugiu nessa quinta-feira (28), tinha um comportamento exemplar e se preparou para fugir do presídio, que possui um rígido sistema de segurança e nem ligações telefônicas via celulares são possíveis. 
 
Até esta sexta-feira (29), segundo pessoas que trabalham no sistema interno, não existiam indícios de que algum monitor tenha participado. Um filme operado pelo sistema de vigilância não mostra nenhum funcionário por perto da unidade onde são fabricados macacões, além do preso que fugiu e de outros dois detentos que ajudaram o fugitivo. Eles serão ouvidos em inquérito policial e outro administrativo.
 
A reportagem do Hoje em Dia obteve acesso a informações que circulam dentro da penitenciária e entre autoridades da Seds. Informantes contaram que a gravação feita pelo sistema de vigilância mostra cenas dos momentos em que o detento Fábio Alves, que trabalhava na fábrica de macacões e cumpria pena total de 36 anos e seis meses de prisão, fugiu. Ele ficou deitado no chão, perto de uma mesa, quando foi envolto por macacões pretos, que estavam prontos, perto de trouxas com essas roupas, que seriam colocados dentro de uma cesta. Quando as peças de roupas foram colocadas dentro do cesto, o preso, que estava no meio de várias peças, foi levado para dentro de uma van que aguardava a carga para ser levada para fora da prisão. Os informantes contaram que "o fugitivo, depois que a van saiu de perto da penitenciária, vestiu um dos macacões e esperou o veículo se aproximar da Ceasa, na BR-040, sentido BH-Brasília. Nessa região, quando o veículo deu uma pequena parada, ele saiu do veículo e desapareceu em poucos instantes.
 
A assessoria de imprensa da empresa GPA informou que a cinematográfica fuga de Fábio Alves já está sendo investigada e cerca de 40 pessoas, entre monitores, funcionários do setor de segurança e de outros setores, além dos presos que estavam trabalhando na fábrica de macacões, serão ouvidos. Essas pessoas irão ser interrogadas a partir da próxima semana e os dois detentos que são vistos no filme ajudando o preso a fugir responderão também a inquérito policial e podem ser condenados, o que poderá resultar nas transferências dos dois para outros presídios.
 
Os inquéritos policial e administrativo terão um prazo inicial de 30 dias para serem concluídos. A administração da empesa GPA negou, por meio de sua assessoria, que existam problemas no atendimento de saúde dos presos. Essa informação confirmou a existência de um quadro formado por médicos e enfermeiros das áreas clínicas, pedagógica, assistência social e jurídica. Além disso, negou também a ocorrência de maus tratos a parentes de presos em dias de visitação.