Pesquisadores mineiros concluíram o sequenciamento genético do mosquito transmissor da malária na região amazônica, o Anopheles darlingi. O estudo, liderado pela Rede Genoma Brasileiro, do governo federal, em parceria com o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pode ajudar no combate à doença.

No Brasil, mais de 200 mil casos foram registrados apenas no ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde. A grande maioria foi causada pelo Anopheles darlingi, de acordo com Ricardo Gazzinelli, professor do curso de medicina da UFMG, que participou do projeto do genoma. Apesar de a doença se concentrar no Norte do país, há o risco de disseminação. Turistas podem se transformar em hospedeiros e levar a doença a outras regiões, ao serem picados por mosquitos vetores da malária.

Gazzinelli esclarece que o detalhamento das informações genéticas do mosquito contribuirá para o controle populacional da espécie, a partir do desenvolvimento de novos inseticidas.

“Também será possível bloquear a transmissão dos parasitas para os humanos ou a infecção dos mosquitos”, explica o professor, que também é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas.

Genoma

A pesquisa foi coordenada pela professora Santuza Teixeira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia, em colaboração com 30 profissionais do Brasil e dos Estados Unidos. Os trabalhos foram concluídos em seis meses e, em junho, publicados na revista científica britânica “Nucleic Acids Research”.

Agora, os cuidados da equipe estão voltados para o planejamento do controle do mosquito, sem prejuízo ao equilíbrio do ecossistema local. “Eliminar o vetor é praticamente impossível, mas queremos extingui-lo pelo menos nas regiões habitadas e reduzir as taxas de transmissão nelas”, observa Gazzinelli.

Vencida a barreira do sequenciamento do genoma, será iniciada a próxima etapa, chamada genômica funcional, onde serão observadas as consequências de se modificar os genes do Anopheles darlingi. “Depois, vamos identificar em quais genes podemos interferir e quais drogas, como os inseticidas, poderemos ministrar e como vamos eliminar esse vetor da malária”, cita Gazzinelli.

Os resultados do sequenciamento do mosquito transmissor da malária estão disponíveis na internet para pesquisadores do mundo inteiro.

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