Cerca de cem famílias que vivem na zona rural de Santana do Riacho, na Região Central de Minas, enfrentam, há quatro meses, uma aventura diária para chegar à cidade. No lugar da ponte de ferro sobre o rio Paraúna, destruída pelas chuvas em fevereiro, eles improvisaram uma pinguela para não ficarem isolados. Mas a travessia oferece riscos, principalmente para crianças e idosos. Quem está de carro precisa fazer um desvio de 40 quilômetros.

São quatro comunidades afetadas pelo problema, que se estende a outras regiões de Minas. As chuvas do período 2012/2013 destruíram 77 pontes e danificaram 395, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Não há um balanço de quantas foram recuperadas, mas muitas ainda estão apenas nos escombros.

No Sul de Minas, são 19 apenas em dois municípios: Virgínia, com 8 pontes ainda no chão, e Marmelópolis, com 11. O discurso dos prefeitos é o mesmo: falta dinheiro para reconstruir as obras de arte. Situação dificultada ainda pela troca de gestores e pela desinformação de como pleitear recursos diretamente com o governo federal.
No entanto, para agilizar as intervenções, eles deveriam buscar orientações na Cedec. Ajuda que, segundo a assessoria de imprensa do órgão, é ignorada por muitos.

Moradores ilhados

Enquanto a situação não é resolvida, moradores e produtores rurais das comunidades da Usina, Tenda, Mato Grande e Melo sofrem com a falta de acesso a Santana do Riacho, município que integra o circuito turístico da Serra do Cipó.
Na propriedade de Donaria Henrique Moreira, de 64 anos, a área de camping deixou de ser frequentada desde que a ponte caiu. “Perdi mais de R$ 20 mil em três meses e os turistas sumiram”, diz, revoltada.

A aposentada Piedade Fernandes Ribeiro, de 86 anos, precisa se aventurar na passarela improvisada e sem nenhuma proteção quase todos os dias. Para isso, ela conta com a ajuda da neta Regiane Ferreira Silva, de 22. “Morro de medo, mas preciso de atendimento médico na cidade”.

Para piorar a situação, na única rota alternativa, que aumenta a viagem em 40 quilômetros, há uma ponte que começou a ser construída no fim do ano passado e até hoje não foi finalizada.

O jeito, segundo os moradores, foi abrir um caminho no meio da mata e se aventurar em uma travessia que mal cabe um carro pequeno. Indignados, o agricultor Eugênio Paulo da Silva e a esposa, Juvani Henrique da Silva, afirmam que, se chover, não podem ir trabalhar. A Prefeitura de Santana do Riacho foi procurada, mas não se manifestou.