Uma planta espinhenta, com sabor agreste e de alto valor nutritivo ganha evidência, neste fim de semana, no 17º Festival do Ora-pro-nóbis, realizado em Sabará, na Grande BH. A programação começa nesta sexta-feira (17) e se estende até domingo, oferecendo aos participantes atividades culturais e a chance de experimentar receitas que têm a hortaliça como ingrediente obrigatório.

Barracas montadas no bairro do Pompéu, distrito de Mestre Caetano, servirão durante todo o dia os quitutes preparados pelos moradores de Sabará. Um palco foi montado para os shows de músicos locais. Dois restaurantes tradicionais na cidade também participam do evento, com pratos elaborados com ora-pro-nóbis.

Um dos estabelecimentos que estará de portas abertas para os visitantes é o Moinho D’Água, que pertence a Maria Torres da Fonseca, de 82 anos. Quem vê a facilidade com que a aposentada prepara um prato de ora-pro-nóbis não imagina que ela mesma duvidou que a planta poderia dar mais sabor a uma comida.

“Há 25 anos, mais ou menos, usei o ora-pro-nóbis pela primeira vez em um prato. O prefeito tinha ouvido falar que a hortaliça fazia bem para a saúde e criou uma competição. As mulheres correram para elaborar um prato com o ingrediente, e a população quis experimentar a hortaliça”, lembra.

Experiente na cozinha, dona Maria teve a ideia de unir a carne de marreco com o ora-pro-nóbis, colhido dos muros dos vizinhos. O resultado agradou ao público, que a elegeu como vencedora do concurso.

Com a criação do Festival do Ora-pro-nóbis, em 1996, a aposentada acabou aprimorando as receitas. Com a ajuda da família, já preparou até mesmo doces e sucos com a hortaliça, que ganharam fama nas cidades vizinhas. “Nesse fim de semana, a cidade vai encher. Já colhemos mais de 80 quilos da planta para preparar os pratos”, avisa.

A expectativa da Prefeitura de Sabará é a de que cerca de 12 mil pessoas participem do evento. “Neste ano, quem prestigiar a programação poderá experimentar o arroz à Sabará, feito com ora-pro-nóbis e molho de jabuticaba. É a novidade da vez”, adianta.

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