Jogos de baralho, gamão, dama e xadrez, que nada! Homens e mulheres na terceira idade descobriram outra forma de se divertir e passar o tempo: o videogame, paixão da maioria das crianças e adolescentes. A brincadeira, com tecnologias cada vez mais modernas, também ajuda na reabilitação após doenças, melhoram o equilíbrio e a autoestima.

Diva Natália Dias Silva, de 67 anos, não abre mão do aparelho Nintendo 64, o terceiro console de videogame doméstico da empresa japonesa, lançado em 1996. Mesmo com outros tipos mais avançados, o modelo tem um jogo especial para ela: o “007”, xodó da professora aposentada.

“Minha paixão pelo videogame começou enquanto acompanhava meu filho nessa brincadeira. Para orientá-lo, eu aprendia e fui tomando gosto. Quando ele comprou esse “007” eu me apaixonei, porque gosto muito de ação”, afirmou.

Diva conta que, certa vez, o filho quis comprar um aparelho mais atual e, para isso, teria que vender o que ela tinha. A possibilidade foi logo rejeitada pela mãe. “Esse eu não deixo de jeito nenhum”, disse ao filho, assumindo que “quebra a cabeça” com as etapas mais difíceis, enquanto ainda não aprendeu, mas se orgulha cada vez que consegue superá-las.

Apesar da preferência pelo game antigo, a aposentada também se diverte com jogos atuais, como o Xbox do filho. “O videogame para mim é uma higiene mental, uma distração. Eu vibro, me divirto, entro no jogo. Meus problemas vão embora, porque não penso em mais nada”.

Facilitador

Diferentemente dos jovens, os idosos não usam eletrônicos apenas como meio de entretenimento, mas como um facilitador da prática de atividades físicas, muito importantes nessa fase da vida.

Utilizando o aparelho Wii, quem já passou dos 60 também alia a brincadeira e a reabilitação, já que os movimentos são fundamentais em alguns jogos.
“O simulador exercita os dedos, as mãos, os braços, as pernas, a cabeça e traz resultados positivos em relação à memória e à coordenação motora do jogador”, disse a fisioterapeuta Rosângela Duarte Magalhães.

Desde que começou a era do Nintendo Wii e jogos com kinect, a clínica Funcional Reabilitação em Movimento, em Belo Horizonte, passou a adotar a ideia que, apesar de ainda ser tímida em Minas, faz sucesso entre os pacientes.

“Através do uso desses jogos com meus filhos e ao ver isso em outras clínicas nos Estados Unidos e no Canadá, resolvi experimentar aqui. Desde então, tem dado certo e tem sido muito bom para a reabilitação dos idosos, seja por problemas decorrentes da idade ou depois de alguma doença”, ressaltou a fisioterapeuta Mônica Bicalho.

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