Com a estiagem e o tempo desfavorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti, a dengue começa a retroceder em Minas Gerais. Segundo o Ministério da Saúde, houve uma diminuição de 59% no número de notificações.

Nas três primeiras semanas de março, o órgão contabilizou 77,6 mil casos suspeitos, enquanto que, no mesmo período de abril, esse número baixou para 32 mil. Apesar da redução, a situação continua alarmante. Em 2013, as confirmações de dengue ultrapassam 64 mil em Minas.

“Neste ano, tivemos uma intensa transmissão da dengue, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste. Em todo o país, foi registrado um aumento de 189% em relação ao ano passado”, explica o Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ele ressalta que as causas deste aumento são diversas, desde a circulação de um novo subtipo do vírus – o DENV 4 – como a paralisação das ações de combate ao mosquito depois das eleições em alguns municípios.

Morte


Em Cataguases, a Vigilância Epidemiológica do município confirmou a presença do DENV4 no município. A cidade, uma das quatro da Zona da Mata em estado de epidemia, investiga a morte de um homem de 30 anos pela doença. “Somente a entrada de um novo vírus explicaria o número de casos que registramos, inclusive entre pessoas que já haviam sido infectadas”, avalia a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Lívia Machado Milani.

O município tem 1.397 casos notificados. No entanto, Lívia Milani reconhece a possibilidade de subnotificação, uma vez que muitos doentes deixam de buscar os postos de saúde. Lívia teme que a presença do tipo 4 da dengue aumente ainda mais o número de casos. O levantamento do índice rápido do Aedes aegypti registrado pelo município é de 2,9%, ou seja, a cada cem imóveis, quase três têm focos da larva do mosquito transmissor. Acima de 1%, há risco de epidemia.

Cataguases ainda investiga a morte de um homem de 30 anos com suspeita de dengue hemorrágica. De acordo a Secretaria de Saúde do município, o atestado de óbito confirma a doença como a causa. No entanto, exames ainda são realizados pela Fundação Ezequiel Dias. Se confirmado, ele será a quarta vítima na Zona da Mata.

* Com Renata Miranda