Abrideira, água-de-briga, água-que-passarinho-não-bebe, arrebenta-peito, assovio-de-cobra, birita, branquinha, caninha, danada, desmancha-samba, engasga-gato, goró, jinjibirra, “marvada”, mãe-de-luanda, meu-consolo, perigosa, pinga, quebra-goela, suor-de-alambique, tome-juízo, veneno, xinapre e zuninga. Estes são apenas alguns dos nomes populares da cachaça, a mais mineira das bebidas. Nascido na roça, o produto ganhou, recentemente, denominação de origem, prestígio e, agora, se prepara para um reposicionamento de mercado.

“As cachaças artesanais são muito diferentes da aguardente industrializada e essa diferença faz de nosso produto uma bebida especial”, afirma o presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), Nivaldo Gonçalves das Neves. Apenas para se ter uma ideia, o volume produzido pelos 25 rótulos que compõem a Apacs não ultrapassa os cinco milhões de litros anuais, enquanto só a marca líder do mercado nacional produz mais de 1,3 bilhão de litros, anualmente.
 
Qualidades
 
“A cachaça artesanal vem ganhando espaço exatamente por suas qualidades”, avalia Neves. “Estamos falando de um produto fermentado naturalmente, sem aditivos químicos, com destilação lenta em alambiques de cobre e graduação alcoólica que nunca ultrapassa os 48%, contra até 54% da aguardente industrializada.”
 
A prova de que a cachaça artesanal conquistou o público gourmet é que, hoje, já existem cachacières, que são mulheres especialistas na bebida. “A cachaça sempre foi vista como uma bebida masculina e nossa intenção era quebrar este tabu”, declara Ana Lúcia Souza, idealizadora da Confraria Feminina da Cachaça, de São Paulo.
 
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