O som alto das matracas, na madrugada desta sexta-feira (29), anunciam a continuação de uma tradição centenária em Sabará, na Grande BH - a Via Sacra Penitencial, que chega a sua 162ª edição.

O barulho do instrumento tocados há gerações pela família do funcionário público Francisco Dário dos Santos, de 40 anos, era um convite aos moradores e turistas a percorrer os dois íngremes quilômetros, entre a Igreja de São Francisco, na Antônio Albuquerque, até a Capela do Senhor do Bom Jesus, no Morro da Cruz, ponto mais alto do município.

Cerca de 1,5 mil pessoas, acompanharam o ato de fé, segundo a Guarda Municipal. Desde a jovem Tifane Souza, de 13 anos, em sua primeira vez no percurso, até o experiente Mario Eugênio da Mata, de 92 anos, em sua 35ª vez na procissão. “Agradeço pela saúde que tenho”, diz Mario.

A medida que a via sacra avançava pelas 14 paradas, relembrando a história da crucificação de Jesus Cristo, mais pessoas com velas nas mãos aderiam à multidão. Pelo caminho, os fieis agradeciam, faziam pedidos e até pagavam penitências, como a cabeleireira Regina Lúcia de Paula, de 40 anos, que caminhava de pé descalços pelo trecho. “Venho de Contagem, para manter a tradição desde meus bisavós”, conta.

A procissão encantou a turista de Boa Vista (RR), a servidora pública Christiane de Rocha Garcia, de 25 anos, acompanhada do irmão e mãe, que vieram para visitar parentes durante a Semana Santa. “É uma experiência única”, admitiu. A procissão também foi uma oportunidade para algumas pessoas lucrarem com a venda de alimentos e velas para fieis, como o pedreiro José Geraldo Fonseca, de 51 anos. “Dá pra levantar um dinheirinho, mas nem sempre compensa”, conta.

Após o desgastante percurso, os fieis foram recompensados com a paisagem panorâmica de Sabará, no Morro da Cruz. Em seguida, as pessoas assistiram uma cerimônia religiosa e colocaram velas na base de uma cruz para consolidar seus pedidos.