Por ter enviado uma carta a um programa de televisão, ignorando as regras de segurança da penitenciária Nelson Hungria, onde está preso há dois anos, o goleiro Bruno Fernandes está proibido de fazer faxina na unidade prisional. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Estado de Defesa Social. O jogador usou o advogado dele, Rui Pimenta, para enviar a mensagem a um apresentador de programa de televisão. A Seds vai ainda notificar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Minas Gerais, sobre a conduta do advogado que facilitou o fluxo da carta para o meio externo.

Em nota, a Seds disse considerar que o goleiro cometeu um erro disciplinar ao ignorar as regras de segurança do Complexo Penitenciário Nelson Hungria e enviar, fora dos trâmites legais, uma carta ao público externo à unidade, por meio de seu advogado. Bruno tem direito a duas horas de banho de sol e não poderá mais realizar os trabalhos.

Segundo a secretaria, as correspondências dos detentos precisam passar por um departamento específico, para registro e conferência de teor, com o objetivo de resguardar a segurança da sociedade e da unidade prisional.

Na próxima segunda-feira, 16 de julho, Bruno será ouvido em oitiva, para encaminhamento de sua defesa à Comissão Disciplinar do Complexo Prisional. A comissão vai avaliar se ele deve ficar recolhido em cela ou se a medida será prolongada.

Bruno era faxineiro da penitenciária Nelson Hungria desde julho de 2011 e, com isso, recebia uma renda mensal de R$ 408,75. Porém, parte deste dinheiro, 25%, eram depositados numa conta bancária à qual o goleiro só terá acesso depois de cumprir a pena. A outra parte do salário de Bruno fica com o Estado, para ressarcir as despesas pela manutenção do detento.

Quando Bruno trabalhava no Flamengo ganhava R$ 250 mil, como faxineiro ele recebia quase 1.300 vezes menos. Bruno está preso por ter envolvimento na morte e desaparecimento da ex-amante, a modelo Eliza Samudio. Ela queria que ele reconhecesse a paternidade do filho dela.

Procurado pela reportagem do Hoje em Dia, o advogado Rui Pimenta não foi encontrado para comentar o assunto. A OAB-MG informou que, até as 16h30, não havia sido notificada pela Seds sobre a conduta do advogado.

Polêmica

Outra correspondência que gerou polêmica e que teve o goleiro Bruno Fernandes como autor, foi revelada no último fim de semana pela revista "Veja". A mensagem era destinada ao detento e amigo do jogador, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e pedia para que ele assumisse o plano B. De acordo com a publicação, o plano B seria Macarrão assumir a autoria da morte e desaparecimento de Eliza Samudio. Bruno confirmou na segunda-feira (9) a autoria da carta, mas a defesa dele afirmou que o plano B seria o fim da relação dos dois e, não, a hipótese levantada pela revista.