Além do Norte de Minas, outra região registra casos suspeitos de doença de Chagas, enfermidade considerada controlada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). No Vale do Mucuri, quatro pessoas apresentaram sintomas desde 2011, uma delas no mês passado, em Caraí.

Embora reconheça a subnotificação da enfermidade em Minas, a SES garante que todos os casos mais recentes são crônicos, ou seja, de pessoas que contraíram há muito tempo o protozoário Trypanosoma cruzi, a partir da picada do barbeiro, mas só agora manifestaram a doença.

Além da vítima de Caraí, o Setor de Epidemiologia da Superintendência Regional de Saúde (SRS) em Teófilo Otoni contabilizou dois doentes em Catuji, em 2011, e outro em Nanuque (2012). Nenhum deles morreu.

A vigilância entomológi-ca da doença de Chagas no Vale do Mucuri acontece, anualmente, por meio de visitas domiciliares, em 20% das propriedades rurais. Cada cidade tem um posto de coleta de barbeiros, e os exemplares capturados são identificados e encaminhados ao laboratório macrorregional da SRS, para classificação e exame parasitológico.

“O envio desses exemplares pelo morador gera uma visita do agente, a fim de realizar uma pesquisa minuciosa na unidade domiciliar”, explica o técnico Antônio Gilson. Se a presença do barbeiro for confirmada, o local recebe inseticida.

Em Governador Valadares (Leste), pelo menos cem barbeiros são analisados todos os anos no laboratório da SRS no município. Como o órgão é responsável por 51 cidades do Leste do Estado, a demanda é considerada pequena. O objetivo do exame é saber se os insetos estão contaminados.

“E alguns estão, mas isso não significa que alguém tenha sido picado por eles e esteja doente”, explica o técnico referência em doença de Chagas, Altamiro Campos.


Estrutura Precária

Há barbeiros infectados com Trypanosoma cruzi tanto na cidade de Montes Claros, no Norte de Minas, quanto na sua zona rural. Segundo o Centro Municipal de Controle de Zoonose, somente no ano passado, foram capturados aproximadamente 2 mil insetos, de nove espécies. Porém, há vários meses que a fiscalização está suspensa por falta de veículos.

Agentes sanitários são obrigados a ficar na unidade de Montes Claros somente para receber os insetos levados pela própria população. A reportagem do Hoje em Dia revelou, na última segunda-feira (11), a existência de várias pessoas infectadas recentemente no Norte de Minas. (Com Girleno Alencar)