Os atos diários de incivilidade no trânsito de Belo Horizonte são traduzidos em estatísticas alarmantes. Alheios à fiscalização, motoristas avançam o sinal vermelho, usam o celular ao volante e trafegam em alta velocidade. Na capital, o número de multas aplicadas teve um salto de 49,8% nos cinco primeiros meses deste ano. Entre janeiro e maio, nada menos que 640 mil infrações foram anotadas na cidade, média de 4.210 por dia. No mesmo período de 2011, foram 427 mil. Em Minas, também houve crescimento nas autuações, de 19,5%.

Instalados no segundo semestre do ano passado para frear o desrespeito de condutores que insistem em furar o sinal de trânsito, os radares de avanço são os que mais contribuíram para o crescimento das multas em BH. Foram 85.279 infrações desse tipo entre janeiro e maio, contra 14.821 no período anterior – um salto de 475%.

Os equipamentos de detecção de avanço começaram a ser instalados em junho. São 39 radares do tipo na capital. Não há previsão de novos aparelhos neste ano. Quem desrespeita a norma comete infração gravíssima. O condutor é multado em R$ 191,54 e acumula sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

De acordo com a delegada Inês Borges Junqueira, chefe da Coordenação de Infrações e Controle do Condutor (CICC), do Detran-MG, o salto nas autuações se deve a vários fatores, mas, principalmente, ao aumento da frota e dos condutores habilitados, à implantação da fiscalização eletrônica e ao constante de desrespeito.
 

Multas Arte

“Não existe indústria da multa. Se um motorista foi multado é porque ele cometeu uma infração de trânsito”, afirma a delegada, que fez questão de acrescentar: “Os condutores devem estar mais atentos, respeitar a sinalização, usar o cinto de segurança e nunca consumir bebida alcoólica quando for dirigir”.


Fora da realidade

Na avaliação do mestre e consultor em trânsito Silvestre de Andrade, os números, apesar de elevados, não traduzem a realidade. Para ele, a todo momento e em qualquer endereço, motoristas ignoram a lei e atropelam as regras básicas da boa conduta. “Não podemos generalizar, mas existem muitos infratores. Basta ficar cinco minutos parado em uma avenida movimentada para perceber as irregularidades”.

Segundo Andrade, investir em educação no trânsito e coibir os infratores são as maneiras de se evitar as constantes infrações. “Crianças e adolescentes têm que ser preparados ainda na sala de aula. Já os que colocam em risco a vida de outras pessoas têm que ser punidos de forma mais severa”, diz o consultor.


Confira o vídeo do repórter Renato Fonseca sobre a matéria: