Humberto Ramos acordou neste sábado com uma missão incrédula. Foi até a entrada da cidade de Sábara para acompanhar o enterro do amigo e antigo companheiro de Atlético Oldair Barchi. O capitão de 1971, do time que ficou imortal na história do Atlético, ao levantar o primeiro Campeonato Brasileiro, faleceu vítima de câncer de pulmão. Para Humberto, foi-se a autoridade máxima daquele Galo de Telê. O responsável por diminuir o ritmo do já eliminado Botafogo no triangular final daquela competição se despediu da terra aos 75 anos.

"Foi uma honra ter jogado com ele. Um grande líder, exemplo para todos nós. Lembro que na final de 1971, no Maracanã, o Zequinha e o Jairzinho aprontaram uma correria infernal pra cima da nossa defesa, tendo acertado a trave. E o Oldair falou para eles: 'vocês não tem chances de título, pra que isso tudo? Vão querer nós tirar o título?', eles não deram bola, falaram que o Oldair teria que correr atrás. Então, ele retrucou: 'se vier aqui eu vou jogar para fora de campo'. Era uma autoridade", disse Humberto, ao Hoje em Dia.

O responsável por cruzar a bola na cabeça de Dadá Maravilha no gol da vitória diante do clube carioca está com o "coração despedaçado" por perder um amigo. Humberto e Oldair tinham relações de amizade inabalada em mais de quatro décadas, mas com todas as limitações que o tempo e o espaço imprime. O ex-meia lembra que seu último encontro com o capitão foi no Independência, para gravar uma entrevista para a televisão. Ao lado deles, o outro campeão de 1971, Vantuir Galdino.

"Ele tinha a família dele e eu tenho a minha. Mas sempre que nos encontrávamos matávamos a saudade do passado, falávamos de tudo, da vida, das nossas famílias. Eu vi os filhos dele crescer, conhecia bem o Júnior, o Ricardo e a Bianca, além da esposa do Oldair. Ele frenquentava o Labareda para jogar sinuca nos finais de semana e um amigo em comum sempre me falava que ele andava por lá. Deixará saudades, foi uma lenda do Atlético".