Às vésperas da decisão da Copa Libertadores, corintianos fizeram loucuras para conseguir um lugar no Pacaembu e empurrar o time contra os argentinos do Boca Juniors. Tamanha era a procura por ingresso, que torcedores se propuseram a pagar mais de R$ 10 mil a cambistas pelo bilhete em redes sociais. O Timão condenou a venda no “mercado paralelo”. Porém, provou, mais uma vez, o fanatismo da Fiel e como explorá-lo.

Durante a campanha que levou o alvinegro ao inédito título da competição continental, o clube contabilizou uma arrecadação bruta superior a R$ 15,5 milhões nos sete jogos em que foi mandante. A quantia é simplesmente maior do que a somatória de todas as rendas dos 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro, até a sétima rodada. Os candidatos ao título nacional embolsaram perto de R$ 15,3 milhões.

O sucesso corintiano se explica por dois motivos. As dependências do Pacaembu sempre estiveram lotadas nos duelos da Libertadores. A média de pagantes chegou a 33 mil.

Enquanto isso, a dos jogos do Brasileiro ainda se encontra na casa dos dez mil torcedores.

O outro “segredo” é o preço cobrado nas entradas. Para vibrar com os gols de Emerson, Danilo e companhia, em São Paulo, uma pessoa precisou tirar da carteira o equivalente a R$ 67,40, em média. Na decisão da última quarta-feira, os ingressos variaram de R$ 50 a 500. Por ser um torneio muito valorizado pelos corintianos, eles se esgotaram em tempo recorde, lembrando também do programa Fiel Torcedor, que garantiu descontos na compra.

Torna-se impossível comparar a força e visibilidade do esquadrão paulista com equipes de menos expressão do futebol canarinho – caso de Atlético-GO e Figueirense, por exemplo – e que disputam a Série A.

Mas a verdade é que o principal campeonato do país ainda não engrenou. Muito em função da própria Libertadores e da Copa do Brasil, que forçaram times tradicionais a entrar em campo com formações reservas, tirando o brilho de alguns encontros, inclusive clássicos.

Assim, a opção passou a ser a de baratear as entradas na tentativa de atrair o público. Tanto que o preço médio de um ingresso, no Brasileiro, é de R$ 22,81. Para se ter uma ideia deste abismo, o Corinthians cobra R$ 23 na Série A, quase R$ 40 a menos que na Libertadores.

E a renda do jogo que deu a cobiçada taça ao Timão impressionou. Foram mais de R$ 2,5 milhões. Sport e Flamengo, na primeira rodada, protagonizaram a maior do Brasileiro – R$ 718 mil.


R$ 40 milhões

Pelas contas da diretoria corintiana, o clube vai embolsar cerca de R$ 40 milhões por ter trajado a faixa de campeão da Copa Libertadores.

A quantia envolve as premiações, o dinheiro de patrocinadores e a comercialização de produtos alusivos ao feito. Apenas para estampar a foto de torcedores no número dos jogadores na finalíssima, o Timão recebeu R$ 1.800 de cada um de seus fieis clientes.

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