Trocar um clube pelo rival não é novidade no mundo da bola. Não são raras no futebol as histórias de jogadores que viraram a casaca. Em Minas, o roteiro não é diferente. Consagrado pelos torcedores do Cruzeiro como um dos maiores ídolos do clube na década de 70, o ex-meia Palhinha, quinto maior artilheiro da história do Mineirão com 113 gols, também viveu momentos marcantes com a camisa do Atlético nos anos 80.

Em ambas as equipes, pisar no gramado do Mineirão para enfrentar o rival era sinônimo de emoção para Palhinha, conhecido pela habilidade rara e rapidez. “Era um momento de muita emoção. Quando você entrava em campo e via os torcedores dos dois lados era de arrepiar. O que passava na sua cabeça no momento era apenas ganhar. Na nossa época, quando perdíamos, tínhamos até vergonha de sair na rua no outro dia”, relembra o jogador.

Com a camisa do Cruzeiro, foram 434 jogos, o que o credencia como o nono atleta que mais atuou pela Raposa. Formado nas categorias de base, Palhinha chegou ao profissional do time estrelado em 1968, ainda juvenil, mas vivia sob a sombra de Dirceu Lopes, titular absoluto na época.

OPORTUNIDADE

Ofuscado pelo “esquadrão” azul, Palhinha ganhou oportunidade quando Tostão foi vendido ao Vasco, em 1972. E foi justamente na final do Campeonato Mineiro daquele ano que o jovem meia começou a brilhar pelo Cruzeiro. Em campo, um Atlético indigesto, de Dadá Maravilha, Odair e Romeu. No final, vitória estrelada por 2 a 1.

“Essa final me marcou muito. Eu fiz os dois gols que garantiram o nosso título. Abri o marcador, mas o Dadá Maravilha empatou para eles. Na prorrogação, consegui fazer o gol da taça”, disse Palhinha.

A partir daí, Palhinha se consolidou com a camisa do Cruzeiro, onde ficou até 1977. Depois, foi para o Corinthians. Em 80, o atleta voltou para Minas, desta vez para defender o Atlético. No Galo, ele foi bicampeão mineiro em 1980 e 1981.

“No Atlético sempre fazíamos bons jogos contra o Cruzeiro. Tive a felicidade de conseguir boas vitórias e fui vitorioso ao conquistar o bicampeonato mineiro”, conta o jogador, que defendeu o Galo durante dois anos.

Mesmo sendo ídolo pelo Cruzeiro, Palhinha destaca o compromisso pelo alvinegro. “Eu respeitei as camisas que vesti e sempre joguei com amor. Não importava se era o Cruzeiro, sempre queria ganhar”, finaliza.