A situação envolvendo a falta de ambulância e médico, culminando no atraso de 20 minutos para a realização da partida entre Democrata-GV e Patrocinense, nessa quarta-feira (26), resultará em punição ao clube de Governador Valadares.

Em contato com reportagem, a Federação Mineira de Futebol (FMF) informou, por meio de seu diretor de competições, Leonardo Barbosa, que a responsabilidade de providenciar o veículo (e um médico) é inteiramente da agremiação. 

"A questão é a seguinte: a responsabilidade e a obrigação de providenciar uma ambulância e um médico, nos termos do regulamento do campeonato, de todos os campeonatos da Federação, é do clube mandante. Caso isso não aconteça: primeiro, não vai ter o jogo; segundo, o clube será responsabilizado, pode ser multado, punido de todas as formas possíveis. Para ser punido, primeiro há a denúncia, o processo e o julgamento. Mas, fatalmente será punido, e a punição é de acordo com a quantidade de minutos que ele atrasou", afirmou Leonardo Barbosa, diretor de competições da FMF. 

A FMF relatou o que se sucedeu em Governador Valadares. "No interior, é muito comum que os times façam convênio com a Prefeitura, e que ela ceda a ambulância. Ao que parece, a ambulância chegou sem médico. Como o clube sabia que seria punido pelo atraso, com o risco de ser punido também por não ter jogo, arrumou uma solução. Encontraram um médico na arquibancada, que assumiu a função. Eles precisaram de um médico, conseguiram um médico. Problema resolvido", disse Barbosa. 

"Quando o médico se apresentou, o delegado da partida conferiu o registro do CRM, que estava OK, e permitiu o trabalho, sem problema nenhum", complementou.

O Democrata foi procurado pela reportagem, mas, até o momento, não respondeu às mensagens enviadas. Caso haja resposta, a matéria será atualizada.

Democrata

O Mamudão foi palco do jogo entre Democrata e Patrocinense, que só começou 20 minutos depois do previsto

Entenda o que aconteceu
No estádio Mamudão, em Governador Valadares, uma situação atípica marcou a partida entre Democrata e Patrocinense, nessa quarta-feira (26). O confronto foi iniciado 20 minutos após o combinado, devido à falta de ambulância e médico no local, como prevê o regulamento da competição. 

O duelo estava marcado para as 20h, mas o veículo só chegou 15 minutos depois desse horário. No entanto, faltava um médico para assumir o posto, e a partida, enfim, começar.

A solução veio diretamente da arquibancada, por meio do torcedor e médico Ramail Pouzas, que apresentou seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e se direcionou para a ambulância. Dessa maneira, após 20 minutos de atraso, o jogo começou.

O médico relatou que foi até o estádio para assistir ao jogo e, impaciente com a demora, foi ao banheiro. Nesse momento, alguém que sabia da sua profissão, perguntou se ele poderia ajudar.

"Eu falei: 'uai, eu sou médico, eu posso ajudar'. Aí o senhor Edvaldo (diretor do Democrata), que eu não o conhecia, conheci nos bastidores, perguntou se eu podia ir lá para autorizar a partida e eu me coloquei à disposição", disse Ramail ao GE.

O torcedor-médico ficou na ambulância durante 15 minutos, até o médico escalado para o duelo chegar. "É até um amigo meu. Ele disse que estava socorrendo uma pessoa longe e agradeceu por eu ter ficado por lá. Graças a Deus deu tudo certo", explicou o torcedor.

Essa não foi a primeira experiência do médico-torcedor dentro de campo. Ramail conta que quase chegou a ser jogador de futebol profissional. Antes de escolher a medicina, ele já jogou na base do Atlético, embora torça também para o Cruzeiro.

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