Capitão, ídolo, referência. Adilson dos Anjos Oliveira, ou simplesmente Juninho, é um dos principais nomes do América nos últimos anos. Sua dedicação e liderança, aliadas à qualidade no futebol, o tornaram adorado pela nação americana, que até fez um bandeirão em sua homenagem. 

Há cinco anos no Coelho, o volante é um dos protagonistas da melhor campanha do Alviverde na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Entretanto, antes de colher os frutos do brilho da equipe nas duas últimas temporadas, o meio-campista, natural de Goiânia, sofreu duros reveses, como os rebaixamentos em 2016 e 2018.

Entre as duas quedas, houve o título da Série B de 2017, em cima do poderoso Internacional, maior feito do América nos últimos anos, juntamente com a histórica campanha na Copa do Brasil do ano passado, em que o time foi semifinalista. 

Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, Juninho revelou detalhes que envolvem os 268 jogos com a camisa do Coelho e aproveitou para se declarar ao clube. 

América

Você chegou ao América em 2016. Quais as principais mudanças que viu no clube desde então?

Várias. Eu cheguei em 2016, e hoje, em 2021, fico feliz em participar de tamanho crescimento que o clube vem tendo. Posso dizer que o América cresceu em todas as áreas. E vem crescendo mais ainda, em termos de organização e de entendimento do que faz um jogador desempenhar melhor seu papel. O suporte é maior hoje do que em 2016. O América sempre foi um clube organizado, mas, em 2021, posso afirmar que tem sido top no Brasil, em relação à organização e a dar suporte ao profissional. 

Com tanto tempo de casa, como é sua relação com o América e com a torcida, que te considera um ídolo?

Com tanto tempo (de clube), a gente acaba tendo sentimento. Quando cheguei, em 2016, não imaginava estar aqui até hoje, porque a gente sabe que a carreira de um jogador de futebol é muito dinâmica. Eu fico muito feliz em ter essa sequência em um clube como o América. Tenho um sentimento muito forte pelo clube. Sei que muitos tem carinho por mim, caso de torcedores, funcionários, de todos aqui do clube também. E é recíproco. Também sou muito grato ao América por tudo. Várias conquistas pessoais, eu conquistei por meio do América. Então, isso tudo cria um elo forte. Um elo que, quanto mais tempo passa, é mais difícil de ser quebrado. Tudo que eu faço em campo ainda é pouco perto do que o América já me deu.

Qual foi seu momento mais marcante com a camisa do América?

Sempre repito que ainda vou viver o momento mais marcante no América. Tive outros momentos especiais, como o título da Série B. Outros momentos que ficaram marcados como aprendizado. Mas o grande momento no América ainda está por vir, está muito próximo, creio eu. Ai poderei responder com mais clareza. 

América

Passado quase um ano, qual o sentimento ou lembrança mais forte que ficou para você na histórica campanha da Copa do Brasil da temporada passada?

Tive o prazer de disputar uma final de Copa do Brasil pelo Athletico-PR, em 2013, contra o Flamengo. Mas, vou ser sincero, onde eu curti mais a competição, vivi com mais intensidade e desfrutei mais, foi aqui no América. Chegamos à semifinal jogando muito futebol e colocando o time em uma prateleira maior no cenário do esporte. A partir daí, o América passou a ser reconhecido de forma diferente. Então, o América ganhou muito com aquele feito nosso. Claro que queríamos ter ido além, sabíamos que poderíamos ter ido mais, mas são situações do futebol. Saímos para uma grande equipe (o Palmeiras). Mas foi muito especial, foi o momento em que mais curti jogar futebol em toda minha carreira. 

Como foi o assédio dos outros clubes em torno do seu futebol após a grande temporada de 2020? Alguma proposta chegou a te balançar? 

Quanto mais tempo a gente vai ficando em um clube, vamos criando um sentimento e vai ficando mais difícil de esse elo ser desfeito. Não que eu esteja acomodado, na minha zona de conforto. Jamais! Lógico que chegam situações para sair, mas a maioria delas quer usar do meu relacionamento bom com o clube (N.R.: Juninho dá a entender que clubes que ansiavam contratá-lo pedem para ele deixar o América, o que tornaria a negociação mais fácil). E eu acho que dessa forma não seria legal. Então, sempre chegam (propostas). É bom que a gente vê que o trabalho está sendo bem feito, mas nada que me faça querer sair. Tem chegado, sim (propostas), porém, sou um cara muito maduro em relação a essas situação, sei lidar com isso. E não é o momento ainda (de sair). Estou feliz aqui, e minha família também. Quando tiver o “fim” aqui no América, jogando futebol, vai ser numa boa para os dois lados. Creio que ainda está um pouco distante de encerrar esse ciclo. 

Qual foi o peso da perda do título do Campeonato Mineiro para o início ruim de Brasileirão do América?

Doeu, porque a gente deu a vida naquele campeonato para ganhá-lo. Talvez, muitos por ai não valorizam tanto o Estadual, mas a gente valorizou muito. Queríamos muito ter ganhado, tivemos a oportunidade de ter ganhado, e não ganhamos. Teve uma situação ainda no final de jogo (contra o Atlético), de possível pênalti. Foi claro, em minha opinião, mas não aconteceu. Ficamos bastante chateado com a situação, porque sabíamos que poderíamos ter ganhado aquele título. Mas nosso grupo é maduro, acredito que essa perda não influenciou muito nos resultados. Entramos em uma competição (Série A), e no início não entramos com esse espírito, de ser a principal competição do ano. E logo no começo, tivemos uma sequência complicada, em que perdemos três jogos, e meio que complicou um pouco. Acredito que a perda do Estadual não teve tanto impacto nos primeiros resultados. Foi mais o jeito que a gente encarou (a Série A). Achamos que os resultados viriam de uma forma fácil, sem fazer grande esforço, mas Série A é complicada. Quando acordamos para o campeonato, passamos a colher os frutos. 

América

Como você vê a chegada de um nome de peso como o do argentino Mauro Zárate? 

Trabalhar com um cara do potencial do Zárate é motivo de orgulho para a gente. Estou no clube há alguns anos, e a contratação de nomes de peso como o Zárate e o Berrío mostra realmente o que o América quer. Isso me enche de orgulho e vejo aquilo que a diretoria pensa para o clube quando traz um jogador desse nível. 

Até onde esse time do América pode chegar? Com o que a torcida pode sonhar?

Até o onde o América pode chegar é uma pergunta sem resposta. O América vai crescer muito, não vai parar de crescer. Esse tem que ser o pensamento, sempre movimentar para cima. O América é uma potência, por isso está trabalhando para se tornar um clube-empresa. Têm pessoas querendo investir no clube, tem pessoas com essa visão de enxergar um potencial no clube. Creio que o América vai chegar longe. Pode ter certeza, torcedor, que o clube que você torce, o América, é uma potência. Pode chegar em um patamar muito alto e está perto disso.