Os jogadores do Cruzeiro entraram em campo nesta quinta-feira (18) para enfrentar o Sampaio Corrêa, no Castelão, com camisas que trazem os dizeres “risque o racismo”. “Todos os nossos patrocinadores cederam seus espaços no uniforme para chamar atenção para a luta contra o racismo”, escreveu a Raposa em suas redes sociais.

A ação é uma resposta aos recentes atos de injúria racial na Série B do Campeonato Brasileiro, sendo um deles protagonizado por um torcedor celeste na partida contra o Remo, no Independência.

Outro caso envolveu um dirigente do Brusque, o presidente do conselho deliberativo do clube catarinense, Júlio Antônio Petermann, autor de ofensas contra Celsinho, atleta do Londrina. 

Cruzeiro

Nesta quinta, aliás, em julgamento por videoconferência, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aceitou recurso do Brusque e determinou a devolução de três pontos ao time do Sul. A equipe havia sido punida anteriormente em função do ato racista.

Também nesta quinta, o Cruzeiro divulgou uma nota oficial em seu site oficial falando a respeito do caso de injúria racial de um de seus torcedores (confira mais abaixo). A Raposa será julgada na próxima terça-feira (23).

Os azuis foram foram denunciados pela Procuradoria do STJD, que enquadrou o clube no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

A norma prevê a seguinte pena: “suspensão de cinco a 10 partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de 120 a 360 dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100 a R$ 100 mil”.

Baseado no artigo 35 do CBJD, a Procuradoria pediu também a suspensão preventiva (antes do julgamento) do clube celeste, que passaria a jogar com portões fechados como mandante e não teria direito a carga de ingressos como visitante. O pedido será analisado pelo presidente do STJD, Otávio Noronha.

Mesmo com a possibilidade de sofrer sanções, a Raposa se livrou do risco de perder pontos na competição.

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Confira a nota oficial emitida pelo Cruzeiro

“Nós, do Cruzeiro, temos trabalhado incessantemente para a conscientização contra o racismo e isso fica escancarado em ações e campanhas nos últimos tempos. O simples fato de existir a possibilidade de algo ter sido pronunciado nesse sentido em um jogo com mando nosso fez com que, antes mesmo de sermos demandados e ou termos certeza de qualquer fala, proativamente tratássemos do assunto em nossas redes sociais. Mesmo tendo a segurança de que nada foi dito por qualquer integrante de sua comissão técnica ou diretoria, preferimos agir. Ainda que o áudio não fosse claro e que não houvesse prova inequívoca sobre as palavras proferidas, naquele momento, a dúvida foi o suficiente para que nós, do Cruzeiro, decidíssemos agir.  

Aliás, faríamos novamente, porque não esperamos o racismo escancarado para agir. Uma mísera fagulha de racismo basta para que qualquer um lute contra. Inclusive, mesmo sendo um fato isolado, sem participação do Cruzeiro, vale lembrar, ainda tentamos, em ação prática, identificar com a Arena Independência quem teria agido nesse sentido. 

Mais do que isso, a gestão do Cruzeiro, na figura de seu presidente Sérgio Santos Rodrigues, tão logo tomou conhecimento da situação, fez questão de imediatamente contatar o presidente do Clube do Remo, no sentido de oferecer toda a estrutura possível para que, juntos, déssemos um exemplo de ação contra o racismo. O presidente do clube paraense, no entanto, sequer respondeu ao Cruzeiro, tendo optado por apresentar uma notícia de infração ao STJD, preferindo transformar uma oportunidade de discussão crucial ao desenvolvimento e evolução da nossa sociedade em uma tentativa de prejuízo desportivo a um adversário. Confiamos na Justiça Desportiva e temos convicção de que lá os fatos serão devidamente esclarecidos.”