A Corregedoria-Geral de Polícia Civil de Minas Gerais investiga se o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, pagou para que um inquérito envolvendo denúncias de corrupção que teriam sido cometidas pela antiga diretoria do clube estrelado fosse desarquivado. 

A Corregedoria entrou em ação após o vazamento de uma carta apócrifa, com o timbre da corporação, que acusa Santos Rodrigues de interferir na ação da Polícia Civil no caso.

O autor da carta, a qual o Hoje em Dia teve acesso, afirma que a Operação “Segundo Tempo”, deflagrada em abril deste ano, foi um pedido do atual mandatário da Raposa ao chefe do Departamento Estadual de Investigação e Fraudes, Agnelo de Abreu Baeta, com a anuência de Joaquim Francisco Neto e Silva, chefe adjunto de Polícia Civil de Minas Gerais. O texto afirma ainda que Sérgio prometeu desembolsar uma quantia caso tivesse o pedido antedido. 

A carta acusa as partes de “requentarem um prato já exaurido”, se referindo ao desarquivamento de um inquéirto anteriormente arquivado, para causar a impressão de novidade, a partir da realização da operação, além de citar um suposto vazamento de informações dos inquéritos. Segundo o autor, a intenção do presidente da Raposa com a ação seria desviar o foco de uma administração que ele classifica como incompetente. 

Os lados

Procurado pelo Hoje em Dia, Joaquim Francisco Neto e Silva confirmou que a carta em questão foi redigida por alguém de dentro da Polícia Civil, mas que ainda não foi possível identificar o autor.

Joaquim também fez duras críticas ao responsável pelo texto, não fazendo juízo de valor sobre o teor das acusações presentes no texto. 

“Existem indícios de que esse documento foi fabricado dentro do Departamento (de Fraudes) por algum servidor mal-intencionado, que busca desestabilizar tanto a direção do Departamento, quando a direção da Polícia Civil. Entretanto, existe inquérito da Corregedoria para apurar eventuais policiais civis envolvidos no vazamento de informações ali de dentro do Departamento”, disse Neto e Silva.

O chefe adjunto de Polícia Civil revelou que assim que soube da divulgação da carta, ainda em abril, dias antes da “Operação Segundo Tempo”, aconselhou Agnelo de Abreu Baeta a acionar a Corregedoria para apurar tanto a confecção da carta, quanto o conteúdo dela, e que tal ação foi tomada de imediato.

Ainda de acordo com Neto e Silva, a investigação do órgão segue ativa, com oitivas já realizadas, mas que ainda não há um relatório ou qualquer desdobramento de maior repercussão até o momento. O inquérito corre em segredo de justiça.

Ao Hoje em Dia, Joaquim também fez questão de afirmar que não acredita em qualquer envolvimento de Agnelo em irregularidades e que este conta com sua total confiança.

“Operação Segundo Tempo”

Desdobramento do inquérito que apura supostas irregularidades praticadas pela antiga diretoria do Cruzeiro, liderada pelo ex-presidente Wagner Pires de Sá, que esteve no comando do clube entre 2018 e 2019, a “Operação Segundo Tempo” foi deflagada no dia 30 de abril, mesmo após o vazamento da carta com as denúncias. 

Na ocasião, foram cumprido cerca de 20 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas, Bahia, São Paulo e Paraná. Dentre os crimes investigados estão o de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O Cruzeiro, por meio de sua assessoria de comunicação, foi procurado para comentar sobre o caso, mas ainda não retornou os contatos do Hoje em Dia.

O espaço está aberto ao clube estrelado, e a reportagem será atualizada assim que a Raposa se manifestar, se assim o fizer.