Terceiro treinador do Cruzeiro no ano, Mozart chega à Toca da Raposa II com a missão de blindar o elenco da turbulência nos bastidores do clube, recuperar a confiança de um time abalado por fracassos em campo e conseguir uma arrancada na Série B.

Diante dos desafios, o técnico também inicia o trabalho na equipe estrelada cercado de desconfiança de parte da torcida, em razão dos insucessos recentes do time, e da ainda recente trajetória do profissional como treinador.

Em sua entrevista de apresentação, realizada nesta sexta-feira (11), na Toca II, Mozart comentou sobre todos esses temas, sendo questionado já de início se teme uma falta de autonomia no trabalho, como reclamou seu antecessor no cargo, Felipe Conceição.

“Não cabe a mim falar o que aconteceu ou deixou de acontecer nos últimos meses, no último período dos treinadores que passaram por aqui. O Rodrigo Pastana foi o cara que me trouxe para cá, acredito muito no trabalho dele, temos uma sintonia importante. No período em que trabalhamos juntos nunca teve nenhum tipo de interferência. Pelo contrário, existiram troca de ideias, mas nenhum tipo de interferência. Não vejo dificuldade alguma”.

“Cabe a mim ressaltar a maneira em que eu fui recebido aqui no clube. Fui muito bem recebido pelos profissionais que estão aqui. Encaro esse desafio, que é um grande desafio na minha carreira, como uma página em branco. Cabe a mim, juntamente com a minha comissão e com meus jogadores, escrever uma história da melhor maneira possível”, completou o comandante. 

Confira outros assuntos abordados por Mozart na apresentação:

Convite, relação com Pastana e reforços

O convite (para dirigir o Cruzeiro) surgiu do Rodrigo (Pastana). Pelo fato de termos trabalhado juntos por muito tempo, tivemos um desempenho importante na última Série B. Em relação à reforços, pontualmente vamos tentar trazer alguns nomes, mas eu vejo que temos um elenco forte. Seria no mínimo indelicado chegar aqui e colocar uma lista enorme de reforços, não vejo essa necessidade. Vejo que temos um elenco qualificado, pontualmente vamos reforçar. Vejo mais do que isso, temos que resgatar alguns jogadores que talvez estivessem com pouco espaço. É um momento novo, em que está chegando um treinador novo, com outras ideias, espero construir um ambiente positivo para que esses jogadores consigam desempenhar o melhor futebol deles.

Estilo de jogo

Eu vejo o futebol de maneira bem clara, bem simples. O futebol atual exige que sua equipe saiba fazer de tudo um pouco e muito bem-feito. Porque o jogo exige isso, exige que você marque alto, compacto, exige que em alguns momentos você marque em baixo, porque o adversário de te leva para trás. Tem momento em que você vai controlar o adversário com a posse da bola, aí terá que ter ideias ofensivas. Por isso que a exigência do jogo mudou de uns anos para cá. O jogador precisa ter um entendimento grande do que fazer, em todos os momentos do jogo. Então, eu, por característica, gosto de atacar, de ter a bola, de empurrar o adversário para trás. Tem momento que é possível, e outros em que não é possível. O meu desafio como treinador é realmente criar essa identidade, e que o jogador entenda o jogo de maneira geral. Não é uma tarefa simples, especialmente pela falta de tempo. Não é um álibi, é uma realidade. Porém, no cenário do nosso calendário, tenho que otimizar o tempo que eu tenho, para implementar a minha ideia. Uma equipe de futebol tem que ter uma identidade definida, e pode ter certeza de que nós vamos ter.

Desconfiança e apresentação ao torcedor

 A desconfiança de parte da torcida eu lido de maneira bem natural, e acho supernormal. Realmente eu sou novo para treinador. Estou no meu terceiro clube como treinador de um time profissional. Tenho um histórico grande na base, mas é o meu terceiro clube como profissional. Essa desconfiança vai se dissipar com os resultados e com desempenho, que é uma coisa que eu acredito muito. Acredito que para ter resultado tem que performar, na grande maioria das vezes. O futebol é um esporte em que as vezes se joga mal e ganha, se joga bem e perde. Faz parte do processo, mas eu acredito muito em desempenho. O desempenho te traz o resultado. Os resultados vão fazer com a que desconfiança do torcedor diminua.

Sobre as influências (como treinador), eu joguei 15 anos de futebol profissional, sendo 12 anos na Europa. Então, óbvio que minha influência, futebolisticamente falando, é muito mais europeia do que brasileira. Porém, sou brasileiro, trabalho no Brasil, então eu tento adaptar as minhas ideias a realidade do jogador brasileiro. Mas a minha grande influência é o futebol italiano, sem dúvida, mas adaptando à realidade cultural do nosso país.

Dificuldade financeira

Nós temos que ser criativos. Contratar dentro do próprio elenco, resgatar aquele jogador que estavas em baixa. Com relação à salários atrasados, eu prefiro focar, principalmente neste primeiro momento, no que realmente o treinador tem que fazer. É ir para o campo, trabalhar, introduzir as próprias ideias, ouvir os próprios jogadores, onde eles conseguem produzir. Porque uma coisa é eu ter uma ideia jogo, mas eu preciso entender se o jogador tem capacidade para fazer aquilo. Eu me ajustar neste curto espaço de tempo para tirar o melhor desse atleta. Eu vou focar naquilo que eu fui contratado para fazer, que é treinar meu time e ganhar jogos. Óbvio que alguns fatores podem atrapalhar, mas primeiro eu vou tentar resolver o problema maior neste início de Série B que é a falta de resultados. Então vou focar minha energia naquilo que eu fui contratado para fazer, que é ganhar jogos.

Regularizado junto à CBF, o treinador já poderá comandar a Raposa à beira do campo no duelo com o Goiás, neste domingo (12), às 21h, no Mineirão, pela terceira rodada da Série B.

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