Diretores e presidentes das torcidas Máfia Azul e Pavilhão Independente poderão responder juridicamente por vários crimes que as organizadas tenham cometido em dias de jogos do Cruzeiro em 2019, como provocação de tumulto, dano ao patrimônio público, ameaças, entre outros.

A informação é do delegado Denilson dos Reis Gomes, responsável pelo inquérito que apura os conflitos violentos provocados pelas torcidas, especialmente no último dia 8, quando o time mineiro perdeu para o Palmeiras e caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Nesta terça (17), foi realizada a operação Voz das Arquibancadas, com cumprimento a mandados de prisão e mandados de busca e apreensão em sedes das torcidas e casas de líderes. Até o início da tarde, oito homens tinham sido presos e outros oito eram considerados foragidos. Todos eles atuam nas diretorias das organizadas.

“Vários dos presos tinham passagens pela polícia, como homicídio, tráfico de drogas e lesão corporal. Inclusive, um deles foi responsável pela morte de um torcedor do Atlético em um dia de jogo contra o Vasco”, contou o delegado.

Segundo Gomes, após a conclusão do inquérito, é bastante provável que alguns líderes das torcidas sejam responsabilizados por associação criminosa. “Porque eles não só têm participado de condutas delituosas, como também instigado seus integrantes”, explicou.

O delegado ainda adiantou que pretende acionar a Justiça para que essas torcidas, que podem ser banidas dos estádios a pedido do Ministério Público, não possam mais comercializar produtos ou receber dinheiro do clube – fato ainda não confirmado durante a investigação. “Não serão mais tratados como torcedores, mas como multidão delinquente”, completou.

Durante a operação, a Polícia Civil encontrou vários bastões de madeira dentro das sedes das torcidas. Veja vídeo divulgado pelo Ministério Público:

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