O último sábado (23) representou uma “dupla desmoralização” a Abel Braga. No mesmo dia, o treinador viu sua equipe, o Cruzeiro, levar um chocolate do Santos, na Vila Belmiro, e o Flamengo, time que o demitiu em maio deste ano, conquistar a América, ao bater o River Plate na final da Copa Libertadores, em Lima, no Peru. Essa “dobradinha” simboliza o ano em baixa do comandante no futebol; um cenário que não condiz com sua grandiosa história no esporte.

O currículo é inquestionável e falar por si: como técnico, angariou taças de expressão, como a própria Libertadores, pelo Internacional, em 2006, ano em que também abocanhou o Mundial de Clubes, e o Campeonato Brasileiro de 2012, pelo Fluminense. No entanto, em 2019 as coisas não vêm sendo fáceis.

Cruzeiro

Problemas na Toca

Nesse sábado, o Cruzeiro teve sua pior exibição sob a tutela de Abel Braga. Depois que abriu o placar, com o lateral-direito Orejuela, o time celeste se tornou presa fácil do Peixe, levou quatro gols – e pouco não sofreu mais. Ao fim da partida, o técnico era a pura imagem da derrota, mas de forma alguma fugiu de sua responsabilidade.

“A atuação foi muito abaixo, e eu sou o responsável. Fui eu quem escalou. Talvez a estratégia que usei não tenha sido a melhor. Conseguimos fazer 1 a 0, o Santos atacou com muitos jogadores e deu o contra-ataque. Quando acertamos os passes, chegamos ao gol. E, no fundo, se você reparar, tomamos dois, três gols de contra-ataque. Fora de casa, isso é muito ruim. A responsabilidade é minha”, admitiu.

Santos

Por conta dessa goleada sofrida, o Cruzeiro chegou a cinco jogos seguidos em vencer e pode figurar na zona de rebaixamento do Brasileirão, caso o Fluminense, no mínimo, empate com o CSA, nesta segunda-feira (25), a partir das 20h, no Rei Pelé, em Maceió. Uma pressão a mais sobre o time mineiro e seu treinador, que já vem sendo contestado.

Apesar desse cenário desolador, o gestor de futebol do clube, Zezé Perrella, garantiu Abel no cargo.

Flamengo

Antes de assumir a Raposa, Abel Braga defendia as cores do Flamengo, mas com ele o time não mostrou aquilo que a diretoria rubro-negra tanto almejava, mesmo com o título carioca assegurado. Foi com Jorge Jesus – amparado com a vinda de vários reforços – que o Urubu se tornou a potência tão desejada por sua cúpula.

O curioso é que Abel previa que o Flamengo protagonizaria uma temporada vitoriosa. Porém, os grandes momentos aconteceram sem ele. “Na vida, seja na minha carreira de jogador ou de treinador, sempre estive preparado para as grandes pressões e os grandes momentos. Sempre me dei bem com isso. E me habituei a encarar esses desafios de cabeça erguida. Mas jamais estive preparado para covardias e articulações. O que não suporto é traição”, afirmou, em carta, após sua saída do Fla.

Flamengo

Neste ano, ele comandou o Flamengo em 32 partidas, sendo 19 vitórias, oito empates e cinco derrotas; a equipe marcou 59 gols e sofreu 29.

Resta a Abel tirar o Cruzeiro da degola no Brasileiro. Faltam quatro jogos. O que virá? Um final melancólico ou a “salvação”