No último dia 24, numa das raras vezes em que concedeu entrevista coletiva, Sérgio Sette Câmara sentenciou: “Minha gestão é julgada pelo que acontece em campo. Eu, hoje, sou o pior presidente do Atlético, mas porque sou o atual”. O comentário se deu com uma ponta de sarcasmo, quase como uma resposta às críticas, embasadas, em parte, pela falta de títulos nesses dois primeiros anos de sua gestão – que se encerra no fim de 2020. 

O atual mandachuva do Galo pode entrar para história, de forma negativa: ser o primeiro presidente do clube, desde Carlos Alberto Naves – que dirigiu a agremiação de 1968 a 1969 –, a não angariar uma taça sequer de campeão.

No domingo passado (27), a vitória do Flamengo sobre o CSA, aliada à derrota do time alvinegro para o São Paulo, deu fim, matematicamente, à possibilidade de a equipe mineira vencer o Brasileirão – independentemente disso, seria surreal imaginar o Galo ultrapassando o Urubu nesta reta final de campeonato, haja vista o abismo que existe entre a qualidade técnica do elenco flamenguista e a do plantel atleticano. Isso significa que Sette Câmara segue na fila.

Sérgio Sette Câmara

A busca por um título continuará em 2020, em seu último ano como presidente do Atlético. Isso se não for reeleito para mais um triênio, o de 2021-2023, ou se não quiser entrar na disputa por mais um mandato.

Quem é o pior?

Naquela mesma entrevista, Sette Câmara relembrou que outros mandatários da história do clube sofreram pressão e também eram questionados. “Já foi o Daniel, o Ziza também foi o pior. O Alexandre (Kalil), nos três primeiros anos, também viveu um momento complicado”, afirmou no dia 24. Ele tem certa razão: todos eles viveram dias tempestuosos. Ricardo Guimarães comandou o Atlético que foi rebaixado para a Série B do Nacional, Ziza renunciou, e Kalil penou em 2010 e 2011, anos em que o Atlético quase caiu novamente. No entanto, esses três comemoram, ao menos, um título.

Talvez essa questão ainda pese contra Sette Câmara. Por outro lado, ele argumenta que está tentando sanar as dívidas do clube: “A dívida do Atlético é de R$ 700 milhões. A gente vai administrando isso daí e vai pagando”.

Presidentes

Estádio

Se a escassez de títulos joga contra Sette Câmara, por outro lado ele pode entrar para a história como o presidente que “iniciou” a construção do Estádio do Galo. Em abril deste ano, uma votação no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) aprovou a licença prévia para a construção da Arena MRV. E neste mês, o clube conseguiu o Documento Autorativo para Intervenção Ambiental (Daia). Caso não obtenha um troféu de campeão – embora ainda seja possível –, o início das obras do estádio pode ser considerado um “título”. Ou não?