Enquanto as alturas das equipes vêm aumentando a cada Copa, a Seleção Brasileira disputa o Mundial da Rússia com um time mais baixo em relação à última edição e ainda menor em comparação com as duas anteriores. A diferença de dois centímetros entre 2006 e 2018 pode até parecer discreta, mas é um fator a ser considerado no duelo desta quarta-feira (27) contra a Sérvia, dona do elenco mais alto da competição (veja os gráficos abaixo).

Com média de 1,80m, o Brasil decidirá o futuro no torneio em confronto direto com uma equipe seis centímetros maior. E, caso a vaga seja confirmada, a fita métrica deverá retornar à pauta nas oitavas de final, pois os também gigantes alemães e suecos aparecem na rota dos cruzamentos da próxima fase.

Qualquer coisa, eu subo nas costas de alguém para cabecear (risos)”
Fagner

O gol de cabeça sofrido na estreia (empate em 1 a 1 com a Suíça) segue fresco na memória dos brasileiros, mas vale lembrar que as todas as eliminações da Seleção em Copas neste século foram decretadas a partir de lances de bola parada.

Em 2006 e 2010, nas quedas diante de França e Holanda, respectivamente, o elenco canarinho tinha 1,82m. Esse número diminuiu um centímetro há quatro anos, quando a Alemanha abriu os fatídicos 7 a 1 em cobrança de escanteio, e mais um na atual lista do técnico Tite.

Para piorar a preocupação, o treinador ainda não sabe quando poderá contar novamente com o lesionado Danilo. O lateral de 1,84m havia elevado a retaguarda brasileira em 12 centímetros ao assumir o posto deixado por Daniel Alves, contundido às vésperas do Mundial. Novo dono da posição, Fagner derruba essa medida, pois é o jogador de menor estatura dentre todos os convocados.

“Qualquer coisa, eu subo nas costas de alguém para cabecear (risos). Temos que tentar neutralizar a altura da Sérvia. O tamanho não atrapalha muito, temos que usar a inteligência para sair de situações complicadas durante o jogo”, avaliou o camisa 22.

Apesar da boa atuação durante a vitória por 2 a 0 sobre a Costa Rica, o “baixinho” corre o risco de voltar para o banco de reservas, pois o zagueiro Marquinhos (1,83m) e o volante Fernandinho (1,79m) também possuem experiência jogando na lateral-direita.

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Golpe baixo

Coincidentemente, o outro desfalque da Seleção também fará falta nesse sentido. Personagem muito elogiado na etapa final contra a Costa Rica, o meia-atacante Douglas Costa (1,82m) era cotado para substituir Willian (1,75m), mas teve um estiramento diagnosticado após a partida.

Para “crescer” o time, as principais alternativas do treinador seriam escalar Marquinhos no lugar de Fagner e Fernandinho no meio, liberando Paulinho (1,81m) para chegar ao ataque, preenchendo o espaço de Willian.

Outra opção, considerada até mesmo antes da segunda rodada, é a entrada do centroavante Roberto Firmino (1,81m) na vaga de Gabriel Jesus (1,75m).

Atleta de linha mais alto do elenco canarinho, o zagueiro Geromel também está à disposição, mas esta parece uma decisão pouco provável.

Já os adversários de amanhã devem ir a campo com uma formação inteiramente acima dos 1,80m, com destaque para o goleiro Stojković, o zagueiro Milenković (ambos de 1,95 m), o volante Matić (1,94 m) e o meia-atacante Milinković-Savić (1,92m).

O futebol, entretanto, não é ciência exata. E talvez nenhum outro exemplo nesta Copa seja tão bom quanto a derrota da própria Sérvia para a Suíça, por 2 a 1.

O grandalhão Mitrović (1,89m) até abriu o placar pelo alto, mas o time eslavo acabou cedendo a virada em jogada rasteira do baixinho Shaqiri. Menor atleta em campo na ocasião (1,69m), o velocista foi eleito o “Homem do Jogo”.

Baixinho já tirou título do Brasil

O lateral Rukavina (1,77m) e o meia Zivković (1,69m) são os únicos de todo o elenco sérvio com alturas inferiores à casa dos 1,80m. Como garante o ditado, porém, “tamanho não é documento”. E o próprio Brasil já experimentou desse veneno.

Reserva nos primeiros jogos do time eslavo nesta Copa, o armador estava em campo na vitória dos europeus por 2 a 1 sobre a equipe canarinho na final do Mundial Júnior de 2015. Atuou bem e deu a assistência para o gol do título, já no segundo tempo da prorrogação.

Zivković e Milinković-Savić são os remanescentes daquele confronto ao lado do atacante brasileiro Gabriel Jesus, titular da equipe comandada pelo então técnico Rogério Micale no torneio Sub-20 disputado na Nova Zelândia.

Altura do campeonato

Desde a Copa do Mundo de 2002, as médias de altura gerais a cada edição subiram de 1,809 m para 1,824 m. Na atual edição, a diferença chega a nove centímetros entre a Sérvia e o outro extremo da fita métrica, onde está o Peru.

No confronto mais desigual de toda a primeira fase, porém, a matemática também não falou mais alto. Segunda maior equipe deste Mundial, a Dinamarca bem que venceu os sul-americanos, mas apenas por 1 a 0 e em contra-ataque veloz pelo chão, após pênalti desperdiçado pelo meia Cueva.