Quando Fernando Prass caminhou para cobrar o quinto pênalti da decisão contra o Santos, nove em cada dez torcedores do Palmeiras ficaram com o coração na mão. "Desde quando ele bate pênalti?", questionavam os torcedores. Mas, para quem vê o goleiro trabalhando diariamente na Academia de Futebol, a novidade não causou tanta estranheza assim. O curioso é que ele só tem tal capacidade para bater na bola graças a uma lesão sofrida ainda no início da carreira.

Quando estava na base do Grêmio, Fernando Prass sofreu uma contusão que o obrigou a ficar sem treinar por alguns meses. Incomodado com o ócio, começou a brincar de chutar a bola com o pé esquerdo e o passatempo se tornou se tornou uma qualidade.

Recuperado da contusão, ele passou a treinar bastante o fundamento e desde então faz o trabalho especial de chutes e reposição de bola com os dois pés. "Goleiro precisa ter uma noção básica com o pé, porque muitas vezes o zagueiro recua a bola e você tem que se virar para tirar ela da sua área", explica o herói alviverde.

Diversas vezes, após os treinamentos, ele fica com outros jogadores batendo faltas e pênaltis. O aproveitamento é bom, mas a diversão com amigos nunca foi tratada como uma arma para ser usada em alguns jogos. Pelo menos até quarta-feira, quando Marcelo Oliveira "iniciou" a carreira de Prass como goleiro-artilheiro.

"Ele treina direto e, quando foi para os pênaltis, senti que dava para confiar nele. O Dudu e o Robinho estavam muito desgastados, assim como outros jogadores, por isso optei por ele", explicou o treinador, que só ficou na dúvida se Prass abriria as cobranças ou encerraria.

Na quinta-feira, o goleiro teve um dia de estrela e pai de família. Horas depois de ter pego um pênalti e feito outro na decisão, esteve em dois programas de TV e depois foi curtir o raro momento de paz com a família.

Desde que chegou ao Palmeiras, em 2013, Prass teve poucas oportunidades de sorrir orgulhoso com um feito dentro de campo. Não por sua culpa, mas por causa de decepções que o time colecionava desde sua chegada. E a partir de 2016, além das defesas milagrosas, o torcedor vai esperar também por suas cobranças de pênalti. E quem sabe, arriscar umas faltas.