A participação do América na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016 está matematicamente garantida, mas já traz questionamentos importantes em relação ao planejamento.

Com uma cota prevista de transmissão de TV quase sete vezes maior do que a recebida nesta temporada (R$ 20 milhões em 2016, conta R$ 3 milhões neste ano), a diretoria poderá investir na qualificação do elenco e diminuir a diferença técnica nos duelos contra os clubes que já disputam a elite há mais tempo.

Segundo um dos presidentes do conselho gestor do clube mineiro, Alencar da Silveira Jr., o Coelho tentará manter a maior parte do atual elenco e ainda buscará algumas contratações pontuais, mas nada que extrapole o orçamento.

Lições do passado

Da última vez que o Coelho disputou a Série A, em 2011, não faltou apoio da diretoria. Isso é o que garante o atacante Alessandro, atualmente sem clube. Uma das principais peças do time na época, ele acredita que a campanha ruim, cujo resultado foi o rebaixamento, se deveu à falta de confiança do próprio elenco.

“Faltou maturidade dos jogadores para acreditar que poderíamos ir mais longe. O América é um clube grande e de camisa muito forte”, avalia o jogador.

Ainda conforme o atacante, as três trocas de treinador também foram determinantes para o ano ruim. A equipe, que começou com Mauro Fernandes, teve também Antônio Lopes e Givanildo Oliveira no comando durante a Série A.

“Não assimilamos bem o trabalho do Antônio Lopes. Foram pontos que poderíamos ter ganhado sem ele”, opina Alessandro. “A chegada do Givanildo mudou tudo. Ele resgatou a auto-estima dos atletas e foi fundamental”, conclui.

Coincidentemente, o próprio Givanildo conduziu o América de volta à elite e continuará à frente da equipe pelo menos até o Campeonato Mineiro. A intenção da diretoria é que ele comande o Coelho também no Campeonato Brasileiro.

Independência

Em relação ao apoio do torcedor alviverde nas arquibancadas, a esperança é que seja bem diferente em relação a 2011. Para se ter uma idéia, naquele ano, o Coelho teve nove dos dez piores públicos da Série A.

É importante lembrar, no entanto, que na última participação americana na elite do Brasileirão, o clube mandava as partidas na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, pois o Independência passava por reforma visando à Copa de 2014.

Direto ao ponto

Opinião do comentarista Léo Figueiredo, da Rádio Itatiaia

O América tem agora outro desafio: sobreviver na Primeira Divisão. Vai enfrentar clubes com receitas e estruturas muito maiores, em um nível bem superior ao da Série B. Mas como fazer isso? Em uma palavra: fôlego. Se quem tem time técnico precisa correr, quem não tem precisa ainda mais! O Coelho precisa de um time forte e veloz, de preferência, jovem (a cota de experiência já está cheia!). Um time “pegador” e que precisa ser temido em casa. Aí vem o principal desafio: encher o Independência. A torcida precisa se fazer mais presente, apoiar o time e pressionar os adversários, ser o principal combustível do Coelho.