Doriva começa nesta quinta-feira (8) o trabalho como técnico do São Paulo ao deixar a Ponte Preta e assinar contrato até dezembro de 2016. O novo treinador chega apenas um dia depois de o colombiano Juan Carlos Osorio se despedir dos jogadores e partir para o México, onde assumirá a seleção do país da América do Norte.

A troca rápida no comando do time ajuda o São Paulo a minimizar a crise política causada pela demissão coletiva de toda a diretoria. A saída de todos os membros, somada ao adeus de Osorio, deixou o departamento de futebol esvaziado.

Antes mesmo do São Paulo confirmar a contratação, a notícia veio à público pela Ponte Preta. O clube de Campinas publicou nota oficial nesta quarta-feira para comunicar a saída do treinador rumo ao Morumbi. A negociação com o treinador ficou sob responsabilidade do gerente de futebol José Eduardo Chimello, que trabalhou junto com Doriva no Ituano. Como o departamento de futebol sem diretores, o dirigente cuidou das conversas enquanto o presidente Carlos Miguel Aidar estava em Brasília para depor na CPI do Futebol.

Doriva dirigiu a Ponte Preta por 15 jogos e vai iniciar o trabalho na terceira equipe diferente nesta temporada. O ano começou no Vasco, onde foi campeão carioca. Pouco depois do título, o treinador ainda recebeu uma proposta se transferir para o Grêmio.

O técnico ganhou projeção no futebol nacional em 2014 ao levar o Ituano ao título do Campeonato Paulista. Na campanha, o time derrotou o São Paulo em pleno Morumbi na primeira fase, eliminou o Palmeiras na semifinal e derrotou o Santos na final, nos pênaltis.

No ano passado, Doriva ainda teve passagem pelo Atlético Paranaense e no fim do ano chegou a ser anunciado pelo Botafogo, de Ribeirão Preto (SP). Mas antes mesmo de começar o trabalho no clube do interior paulista, aceitou a proposta do Vasco e seguiu para o Rio.

O contratação de Doriva representa o retorno do treinador ao time onde começou a carreira como jogador. O ex-volante foi revelado pelo São Paulo em 1991 e após passar a temporada seguinte emprestado a outras equipes, voltou em 1993 para participar de conquistas importantes do clube.

Doriva disputou 90 partidas pelo clube e foi campeão do Mundial Interclubes, da Supercopa da Libertadores e da Recopa Sul-Americana. Logo depois se transferiu para o Atlético e seguiu carreira no futebol italiano, português, espanhol e inglês, até se aposentar em 2007. Pela seleção brasileira, integrou o grupo que disputou a Copa do Mundo de 1998.

No São Paulo, o técnico vai reencontrar Rogério Ceni, de quem foi colega de equipe nos tempos de jogador do São Paulo e também na seleção.

Adeus

Osorio foi nesta quarta-feira ao CT da Barra Funda para conversar com os jogadores e fazer um rápido pronunciamento. No comunicado, o treinador leu uma lista de agradecimentos para 10 destinatários. Nenhum deles era ao presidente do clube, Carlos Miguel Aidar.

"Agradeço ao doutor Ataíde (Gil Guerreiro) pelo apoio incondicional do início ao fim da nossa gestão", disse o técnico  O dirigente mencionado era uma das pessoas com mais proximidade com Osorio dentro do clube e foi demitido na última terça-feira.

Osorio apareceu na sala de imprensa bastante sorridente. O pronunciamento foi lido em folhas de papel e, durante os dez itens destinados a agradecimentos, mencionou a família, Deus, a imprensa, os jogadores e membros da comissão técnica. O único dirigente citado pelo colombiano foi Ataíde Gil Guerreiro, com quem tinha mais afinidade desde quando começou a negociar a vinda para o São Paulo, em maio.

Em novembro, Osorio vai estrear no comando da seleção mexicana no começo da participação da equipe nas Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2018. "Como todos sabem, fiz o possível para seguir aqui até o fim da temporada, mas não foi possível. Tenho a minha consciência tranquila de que dei o melhor para o clube e que deixo a equipe em boas condições nas disputas da Copa do Brasil e do Brasileirão", afirmou.

Osorio ficou quatro meses no cargo, comandou o time em 28 partidas e teve um aproveitamento de 51% dos pontos. Fora lamentar a ausência na reta final da temporada, o treinador disse que gostaria de acompanhar o crescimento na carreira de garotos da base que promoveu ao time principal. "Lamento por não estar para ver o progressos dos jovens Lyanco, Matheus Reis e Murilo".