A construtora Odebrecht disse por meio de nota que encerra nesta quarta-feira (30) as obras de acabamento do centro de convenções da Arena Corinthians. Esse seria, segundo a empresa, o último trabalho referente ao contrato estabelecido com o clube, no valor de R$ 985 milhões.

Um relatório do arquiteto Anibal Coutinho, responsável por todo o projeto do estádio alvinegra, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso há 20 dias, mostrava que ainda havia dezenas de itens incompletos e que as obras seguiam um "roteiro caótico".

Na nota, a construtora disse que desmobilizou o efetivo no estádio e que no local permanece apenas uma pequena equipe de empresas especializadas. O grupo finaliza uma área de vitrine na entrada principal do lado oeste, além de ajustes em algumas áreas
que já tiveram obras concluídas.

"O escopo das obras foi estabelecido de comum acordo com o SCCP [Corinthians] ao longo da construção, respeitando os ajustes ou modificações de especificações previstas no contrato e definidas pelo clube como aquelas necessárias para o pleno
funcionamento da Arena, cuja aceitação vem sendo comprovada pela torcida e pelos sucessivos recordes de público", afirma a Odebrecht via assessoria de imprensa.

A notícia surpreendeu os dirigentes corintianos, que não tinham a data desta quarta como a combinada.
O superintendente do clube, Andrés Sanchez, afirmou ao tomar conhecimento da nota que o acordado era que a construtora fosse embora no dia 16 de outubro.

INCOMPLETO
As observações de Coutinho constam de um relatório de acompanhamento das obras da Arena Corinthians enviado pelo arquiteto para a diretoria do clube em agosto. O documento já revelava um quadro de tensão entre o Corinthians e a construtora.

Uma das obras inacabadas, segundo o relatório, era o centro de convenções. Segundo o arquiteto, o atraso na conclusão do estádio é irregular, considerando o contrato firmado entre o clube e a construtora. O principal problema é que impede a geração de receitas.

"Esses prejuízos atingiram principalmente as propriedades de direitos de nomeação, desde o nome do estádio, das áreas VIP, dos camarotes de festas, etc., as quais, progressivamente têm menos valor, tal o desgaste provocado", afirma o arquiteto em sua
análise.

Na conclusão, pede "imediata apuração das responsabilidades pelos fatos", dizendo também que a somar-se aos prejuízos já "brutalmente" causados à geração de receitas da arena, está a adição de juros.